Japeri tem o maior tempo médio de deslocamento casa-trabalho do país

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Texto por
Luize Sampaio
Data
20 de outubro de 2020

A cidade de Japeri tem pouco mais de 100 mil habitantes e faz parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, onde diariamente dois milhões de pessoas se deslocam para capital em busca de oportunidades de trabalho e acesso a serviços públicos. E os japerienses são os que mais sente na pele como a falta de planejamento pode afetar a mobilidade. Segundo o Mapa da Desigualdade de 2017, o município de Japeri, na Baixada Fluminense, tem o maior tempo médio de deslocamento casa-trabalho do país, uma média de três horas gastas no transporte.

Com a falta de oportunidades de emprego dentro do município, esse cenário se torna comum para boa parte da população do município,  a cerca de 60 quilômetros do centro da capital, que concentra as oportunidades de trabalho; a nova edição do Mapa da Desigualdade aponta que há apenas seis vagas de emprego formal a cada 100 habitantes da cidade.

Esses dados mostram como a mobilidade afeta o desenvolvimento da cidade de Japeri e sua população. O tema é pauta de reivindicação antiga dos coletivos locais como o Mobiliza Japeri, Fórum Popular Permanente de Japeri, Grupo Código, o núcleo da cidade do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe) entre outros. “Nós temos apenas duas linhas de ônibus de municípios vizinhos que passam por Japeri e seguem em direção à capital do estado. Sabemos que é possível pensar e fazer mais conexões, e vamos lutar para que estudos sobre isso estejam presentes no plano de mobilidade da cidade”, apontou Esdras, integrante do Conselho da Cidade e do grupo que construiu Agenda Japeri 2030 com propostas de mudanças voltadas para o território.

A ausência de linhas de ônibus partindo de Japeri para a capital, que concentra a imensa maioria dos empregos da Região Metropolitana do Rio, é uma das preocupações dos coletivos locais, principalmente agora que  a prefeitura contratou, recentemente uma empresa terceirizada que vai produzir o Plano de Mobilidade Urbana do município e planejar as licitações dos ônibus municipais. 

A participação popular na cidade da Baixada já rendeu avanços significativos como, por exemplo, a elaboração do Plano Diretor de 2019. O mesmo grupo que acompanha e torna essas mudanças possíveis agora se prepara para lançar a Agenda Japeri 2030, que será realizada simultaneamente a  agendas de políticas públicas de outras regiões da metrópole fluminense, no dia 24 de outubro, às 10h, com transmissão ao vivo pelas redes sociais da Casa Fluminense

Com o título “Japeri mais Humana e Sustentável”, o grupo escolheu quatro eixos de monitoramento: economia, sociedade, meio ambiente e governança. “Estamos buscando uma transformação na cidade, para que as pessoas tenham direito de ir e vir, emprego, cultura e lazer. E queremos poder fazer todas essas coisas sem sair da nossa cidade, mas também ter a opção de se deslocar para outros lugares com facilidade quando quisermos. Termos o direito à escolha”, destaca a diretora administrativa do Mobiliza Japeri, Patrícia Alves. 

Uma outra pauta da agenda é a valorização do turismo local. Um dos marcos dessa demanda é a antiga Estação de Belém, construída em 1858 e  tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico (IPHAN). Por alguns anos, a plataforma de trem ficou abandonada mas passou por reforma em 2019. Porém, em julho deste ano, o prédio foi tomado por chamas e até hoje os moradores desconhecem o que causou o incêndio.

Agendas locais 2030 

Elaboradas por lideranças e grupos da região de Japeri, Queimados, São Gonçalo, Maré e Santa Cruz, as agendas locais são resultado de um trabalho de escuta e análise de dados territoriais. Elas surgiram como uma forma ampliar e territorializar a Agenda Rio 2030, conjunto de propostas de políticas públicas, atualizada e produzida pela Casa Fluminense – associação civil com foco em políticas públicas para a redução das desigualdades – e sua rede de parceiros na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.  As agendas locais têm como objetivo  amplificar o debate público e o monitoramento social, não só aquele que é feito na academia e nos órgãos de governo, mas também nos territórios.

Agenda Rio

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