Periferia metropolitana se organizou em rodas para discutir as eleições

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Texto por
Luize Sampaio
Data
29 de setembro de 2022

As movimentações sobre a eleição de domingo (02/10) já tomaram as redes sociais e os veículos de comunicação, mas e nas ruas? Uma pesquisa do DataFolha apontou que aproximadamente 70% dos eleitores brasileiros ainda não decidiram em quem vão votar para deputado estadual e federal. No Rio de Janeiro, 55 candidaturas que disputam cargos no legislativo se comprometeram com as propostas produzidas pela Casa Fluminense na Agenda Rio 2030. Como forma de aproximar esse trabalho dos territórios, a organização convidou treze movimentos da periferia da metrópole para produzirem juntos rodas de conversa sobre as eleições. 

Foram mais de 500 Agendas Rio 2030 distribuídas nos oito dias de eventos, que muitas vezes foram simultâneos em diferentes pontos de Itaguaí, Belford Roxo, Complexo do Alemão, Rio das Pedras, Madureira,Itaboraí, Queimados, Santa Cruz, São João de Meriti, Magé, São Gonçalo até Bangu. Neste circuito foram mais de 550 quilômetros metropolitanos rodados. 

Uma diversidade de vozes, públicos, formatos e regiões foram observados nas rodas. Apesar de todas terem um objetivo em comum, discutir com os moradores o processo eleitoral e apresentar alternativas de mudança, cada uma usou formas próprias de atrair a população. Em Queimados, por exemplo, a roda juntou dados, políticas públicas, samba e feijoada. 

Em Queimados:  Feijoada com dados

Na busca de colocar a Baixada Fluminense em evidência durante essas eleições decisivas para o futuro no Rio e no país inteiro, o grupo do laboratório cívico Visãocoop resolveu realizar uma roda na sua cidade para explicar o papel dos dados  na formulação de políticas públicas. A coordenadora do Visão, Fabrícia de Sá Sterce, contou sobre como surgiu a ideia da produção e também o saldo final do evento. 

“O encontro foi uma forma de mostrar não só como dados e as políticas públicas conversam, mas também como são instrumentos necessários para a transformação da nossa realidade. A gente tentou ao máximo deixar esse papo de o mais leve possível para a galera trocar, engajar e conversar sobre. Foi nosso primeiro grande evento pós pandemia, ficamos receosos se ia ter público, se a gente ia conseguir mobilizar a galera mas deu tudo certo, lotou de gente bonita, antigos parceiros e novos da Baixada, Zona Norte e do Leste fluminense – foi um grande intercâmbio metropolitano”, afirmou Fabrícia. 

A organização preparou para o encontro uma publicação especial com dados sobre a cidade e sobre o perfil e contexto das candidaturas negras na Baixada. O evento foi realizado na sede do Golfinhos da Baixada, instituição parceira, com a presença de também de outras entidades como Agenda Realengo, Dados Marginais, LabJaca, Fogo Cruzado e Datalabe.

Para unir dados e políticas públicas, o grupo também promoveu um bloco de debate com candidatos do entorno, estiveram presentes  a candidata Rose Cipriano (PSOL-REDE), Rafaela Albergaria (PT), Gabriel GB (UP) e Wesley Teixeira (PSB). A noite terminou ao som do grupo de pagode de Queimados, Som de criolo. 

Em Sepetiba: foco nas mulheres da comunidade marisqueiras 

A ONG Criar e Transformar convidou os parceiros de trabalho Na Era do Rádio e o Cultural Na Cesta para produzirem a roda na Zona Oeste.  O público principal do evento eram as mulheres marisqueiras de Sepetiba, um dos grupos que vem sofrendo há décadas com os problemas ambientais no território. As mulheres compartilharam sobre como tem sido sobreviver com o impacto causado pelo desenvolvimento urbano e industrial nas regiões vizinhas, além da negligência com a infraestrutura local e a falta de manutenção dos serviços básicos. 

As mulheres marisqueiras de Sepetiba sofrem com a escassez da sua fonte de renda. (Foto: Larissa Amorim)

Esse cenário tem tornado a vida marítima cada vez mais escassa, dificultando também o trabalho e única fonte de renda da maioria dessas mulheres. Shirley Ramos, da ONG Criar e Transformar, contou mais sobre a metodologia usada na roda. 

“Durante a roda, estimulamos que elas falassem sobre seus sonhos profissionais e pessoais, temos em comum o plano de organizar feiras e ações coletivas para fomentar o empreendedorismo feminino local. A roda foi uma oportunidade de apresentação dos nossos compromissos com ações que ajudem a dar espaço a voz feminina. Olhamos a Agenda Rio como uma ferramenta de trabalho para a nossa instituição e nossos  parceiros na abertura de diálogos sobre políticas públicas, inspirando a rede local na formação de novos agentes culturais”, resumiu Shirley.

Roda em Sepetiba foi realizada pela ONG Criar e Transformar. (Foto: Vitor Mihessen)
Em São João de Meriti: a nova geração puxou o debate 

No final de agosto, um tweet de um menino de 13 anos que montou um mapa de metrô para a Baixada Fluminense viralizou. Esse adolescente é o Vitor, morador de São João de Meriti e irmão da Vitória Rodrigues de Oliveira, de 18 anos, uma das mais jovens lideranças da cidade. Os irmãos foram peças fundamentais na organização da roda de São João que contou com a participação da candidata a deputada federal, Juliana Drumond (PSOL), além de coletivos e jovens da região.  Vitória, que é estudante e fundadora da organização A(tua) Meriti, contou sobre o desafio de tocar a roda. 

A roda foi realizada no Centro Cultural Amar São João. (Foto: Luize Sampaio)

“Enquanto um coletivo jovem (no sentido de ser novo e só ter jovem), a gente nunca tinha feito algo no território além de entregar jornais e produzir conteúdo. Tem uma diferença muito grande de estar nas redes da internet e nas físicas, nada é melhor que o olho no olho. Foi bem difícil mobilizar pessoas, ainda mais fazê-las participarem mas foi muito importante saber da realidade de partes de São João que nem eu mesma conhecia. Ouvir o relato de que existem pessoas que só tem água graças a poços artesianos na minha própria cidade é chocante, entender a violência política nos conselhos mais ainda. Foi muito importante e me deixou ainda mais motivada a construir o que faço em torno da valorização da minha cidade”, explicou Vitória. 

Além de produzir a roda, o coletivo também lançou no dia a segunda edição do Jornal A(tua) Meriti. A edição deste mês, já no clima das eleições,  explica as funções de cada cargo que será decidido no próximo domingo e dá diretrizes de onde e como verificar quais são os compromissos dessas candidaturas.

O jornal é distribuído de forma gratuita na cidade, mas é possível também ter acesso a versão digital. A primeira edição falou sobre racismo ambiental.

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