Queda nos homicídios salvou 7398 em seis anos

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Comunicação Casa
Data
5 de agosto de 2014

Estudo inédito, parte da parceria entre O DIA e a Casa Fluminense, é de Silvia Ramos, doutora em Ciências Sociais

André Balocco 

Rio – A mudança de filosofia no policiamento não se limitou a por a taxa de homicídios do estado abaixo da média do País, conforme O DIA  mostrou ontem, na segunda reportagem da parceria entre o jornal e a Casa Fluminense. De acordo com Silvia Ramos, doutora em Ciências Sociais e membro da ONG, a queda poupou 7.398 vidas, de 2008 até 2013. A taxa do estado, em 2012, foi de 28 mortes a cada grupo de 100 mil, contra 29 no Brasil — o que nunca havia ocorrido desde o início da medição, em 1980.

Sílvia Ramos em Santa Teresa: metodologia projeta número de mortes de 2007 para os anos seguintes, quando aconteceram as reduções

Foto:  José Pedro Monteiro / Agência O Dia

“Mataram 7.463 pessoas no Estado, em 2007. Se estas mesmas pessoas tivessem sido mortas de 2008 a 2013, teríamos um total de 44.778 homicídios — mas morreram de fato 37.380. Diminuindo um número pelo outro, chega-se à conclusão que 7.398 vidas foram poupadas”, conta Silvia, que apresentou os números no Fórum Brasileiro de Segurança Pública, semana passada, em São Paulo.

Coordenadora do Cesec (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes), ela aposta na continuidade da política de segurança atual, independentemente de quem vencerá as eleições em 3 de outubro. “Já está consolidada e nenhum candidato terá coragem de modificá-la”, afirma.

Ela, no entanto, defende ajustes para que a polícia isole a política de confronto a situações específicas, valorizando a defesa da vida. “A taxa máxima, considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), é de 10 mortes a cada grupo de 100 mil. Ultrapassando isso, os homicídios passam a ser considerados como epidêmicos. A taxa do Estado do Rio ainda é de 28 mortos a cada grupo, muito pouco para podermos comemorar.”

Silvia cita como determinante para a queda o fim dos constantes confrontos em favelas, na época em que a polícia não ocupava os territórios, como hoje faz com as Unidades de Polícia Pacificadora. “Aquela história de tiroteio atrás de bandido na favela, de helicóptero, deu nisso. Quando usaram outro método e mudaram o discurso, salvaram vidas.”

Secretaria admite tráfico, mas não crê em migração

Um  batalhão em Nova Iguaçu, outro em Itaguaí e uma Risp (Região Integrada de Segurança Pública) em Mesquita, com um coronel e um delegado supervisionando o policiamento. É com estas armas que o estado diz já estar combater o aumento da criminalidade na Baixada Fluminense, segundo o Subsecretário de Planejamento e Integração Operacional, Roberto Sá. Ele admitiu que possa haver traficantes do Rio na região, mas não acredita em migração por causa das UPPs.

“Tanto que nos autos de prisão, 80% são de moradores locais”, afirma. “A palavra migração é muito forte. O modelo do tráfico carioca, de ocupação teritorial, não está na Baixada como um todo. Só consideramos isso quando temos locais em que o estado não consegue entrar. E isto não acontece.”

O subsecretário reconheceu a deficiência de homens para policiamento preventivo e diz que há necessidade de contratação de mais policiais, o que irá se consolidar quando os batalhões forem criados. “Com eles, vamos diminuir as áreas de abrangência de outros batalhões da região”.

No entanto, Sá admite que ainda não há data para o início das construções, apesar delas serem dadas como certas. “Dependemos de recursos para escolher terreno, construir e formar estes policiais. O planejamento já foi entregue ao governo, que se empenhou em construi-los. Se não sairem este ano, serão feitos por decreto.”

A inauguração da Delegacia de Homicídios já está surtindo efeitos, diz. Segundo ele, já são quase 500 policiais civis a mais na Baixada. “Tenho informes de que há muitos inquéritos em andamento.”

Matéria originalmente publicada no jornal O Dia

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