Crônica: Pertencimento, por Binho Cultura

Categorias
Texto por
Binho Cultura
Data
15 de janeiro de 2015

Sou de todo lugar, o mundo é a minha quebrada!

Sou Zona Oeste, Niterói, São Gonçalo e Baixada

Só quem é fluminense pode entender

Os desafios de morar num Estado que só tem olhos para a capital

Não levem a mal, conterrâneos cariocas

Mas só quem se desloca para o Centro da Cidade Maravilhosa é quem sabe

Os desafios chegam a ser covardes

Já ultrapassamos a quota de matar um leão por dia

Agora morremos nós, trabalhadores das periferias

Abarrotados feito sardinhas

Isolados feito ilhas

Nossa gente mal se conhece

Como se sentir pertencente neste cenário?

Onde há desigualdades para todos os lados!

A Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro tem acumulado tristes estatísticas nas últimas décadas no que diz respeito ao Desenvolvimento Humano e às disparidades pontuais entre bairros e municípios. Há um abismo entre a Zona Sul da capital e de Niterói e São Gonçalo, Santa Cruz e Japeri. As políticas públicas, o eixo de investimentos e projetos que dão visibilidades aos visíveis não chegam a estes locais. Sem ter o que esperar, o jeito é se virar para tentar sobreviver mediante aos enfrentamentos acumulados, vivendo à espera de dias melhores. Essa é a realidade da grande maioria dos habitantes da metrópole fluminense.

Todos os dias, milhares de pessoas de todas as idades deixam suas cidades, tomadas da vontade de mudar, de dominar seu espaço, de disputar e usufruir de alguma forma do que está posto. Mas ainda são poucos se compararmos aos ilhados no esquecimento, que estão fadados a viver nas sombras do abandono projetada nas paredes da realidade palpável de onde habitam. O êxodo inevitável torna cidades e bairros dormitórios de profissionais e universitários que são vencidos pelo cansaço de percorrerem as dezenas de quilômetros para terem acesso a oportunidades de trabalho, formação e lazer.

É preciso criar e fortalecer uma verdadeira infantaria, tendo como alvo principal o Desenvolvimento, formada pelas pessoas que em algum momento “partiram”, mas jamais se esqueceram de onde vieram, somadas a outros agentes políticos, acadêmicos e artistas — todos com o propósito de, mais que fomentar, propiciar uma agenda capaz de conectar realidades e realizadores distintos.

Com a criação da Casa Fluminense, todo esse “tipo de gente” estará no bonde, formando sua “quadrilha”, para apresentar aos governantes um novo horizonte, repleto de argumentos colaborativos, a fim de que sejam feitas as devidas mudanças que venham impactar diretamente, acima de tudo, na preservação da vida e nos direitos da pessoa humana. Afinal, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro compreende a parte crítica do Estado. Neste cenário, ser parceiro e contribuir com a visão crítica e ações práticas é possibilitar um novo caminho, criando pontes e diálogos entre as camadas sociais e setores a quem competem e interessam essa construção. Pertencer ao Rio, não apenas àquele dos cartões postais, tampouco àquele das propagandas eleitorais, o Fórum Rio em suas edições constrói o ambiente propício para apontar que Rio de Janeiro queremos. O barato deste ensejo é ver o quanto as pessoas mais simples das camadas populares buscam contribuir e fazer parte deste marco, ou seja, elas se apropriam, sentem-se pertencentes a este processo.

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