Construindo o hoje sem esquecer o ontem: alunos do Curso de Políticas Públicas participaram do Circuito Herança Africana

Texto por
Comunicação Casa
Data
11 de março de 2020

Com objetivo de trazer as aulas para rua, o Curso de Políticas Públicas realizou no sábado (08/03) sua primeira atividade externa com a nova turma desta 5ª edição. O roteiro escolhido foi o Circuito Herança Africana, conduzido pelo Instituto Pretos Novos. A Casa Fluminense entende que não dá para debater o Rio sem partir de dessa história que até hoje recebe um tratamento menor, de muito apagamento. O Secretário Geral e cofundador do Instituto Pretos Novos (IPN), Antônio Carlos, conduziu o passeio que teve 9 paradas no percurso em pontos que mostram a resistência da cultura africana e a formação da sociedade afro-brasileira.

Alunos do curso ouvindo atentamente as histórias de Tia Ciata, ao circularem pelo Morro da Conceição.

O ponto de encontro foi o Largo da Prainha, na Zona Portuária do Rio, ao redor da estátua de Mercedes Baptista, que inspirou a criação do personagem Xica da Silva e foi a primeira bailarina negra a integrar o corpo de balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Antônio pediu para que a turma imaginasse que o ano era 1696. Nesse tempo, o lugar em que estavam pisando ainda não tinha sido aterrado e só seria possível estar ali em cima de um barco. Na verdade, boa parte daquela região, entre o Largo até o Museu do Amanhã, no século XV, era mar da Baía de Guanabara. De lá, o grupo subiu o Morro da Conceição passando pelo Beco dos Tigres que recebe esse nome por conta de ser uma viela usada apenas por escravos encarregados de descer com os dejetos de seus donos até a Baía. Essa atividade causava uma reação na peles deles que ficava amarelada, por isso eram chamados de tigres.

Entre os becos, largos e casas, o cofundador do IPN destacou: “O Rio que vemos aqui é todo feito de patrimônio externo, construído e arquitetado por estrangeiros”. Outra herança forte dessa época é a cultural, passando pela Pedra do Sal a turma pode conhecer melhor a história do samba, antes conhecido como batuque, que envolve muita resistência em meio a perseguição policial. Passaram também pelo Cais do Valongo, responsável pela chegada de cerca de 80% dos africanos escravizados, e que em 2017 foi declarado Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco. Os negros que não sobreviviam à viagem eram depositados em um cemitério próximo à região, lugar onde hoje funciona o Instituto Pretos Novos. O Instituto foi aberto em 2005 e funciona desde então sem ajuda do estado. Conheça mais sobre IPN aqui.

Durante o Circuito, Antônio Carlos levou a turma do curso para conhecer o acervo do IPN.

A aluna do curso, Ellen Marques, participou do circuito e conta como foi importante conhecer outras narrativas sobre o Rio a partir da histórias de personagens e lugares que foram historicamente silenciados. “Foi uma experiência maravilhosa e muito dolorida porque a gente revive processos históricos de dor do nosso povo e da nossa história, mas é muito necessário para a que a gente continue repensando e criando novas possibilidades. Então, quando passamos por histórias de resistência como a da Tia Ciata, dá para entender quais são os processos sociopolíticos e os interesses que permeiam a construção da cidade”, afirma Ellen.

O turma de olho no Morro da Providência, considerada a primeira favela brasileira.

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