Candidatos ao governo do Rio debatem a diminuição dos homicídios

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Comunicação Casa
Data
5 de agosto de 2014

Com base na pesquisa da Casa Fluminense, publicada no domingo pelo O DIA, os principais nomes da disputa expõem suas ideias

Rio – No segundo debate com os principais candidatos ao governo do estado, O DIA discutiu a questão da segurança pública a partir da pesquisa feita pela Casa Fluminense, publicada na edição de domingo. Conduzido pela pesquisadora Silvia Ramos, o trabalho revelou que o Rio deixou de ser o estado que mais mata no país. Em 2008, pela primeira vez, o número de mortes no estado foi de 28 a cada grupo de 100 mil pessoas, menor que os 29 do país. Com base na pesquisa, o jornal quis saber o que os candidatos pensam a respeito e se os resultados estão relacionados com a política de segurança adotada pelo estado.

Candidatos ao governo do Rio debateram diminuição nas taxas de homicídio

Foto:  Agência O Dia

O candidato Luiz Fernando Pezão (PMDB)atribui a diminuição dos homicídios à política de segurança do estado que privilegia os métodos de inteligência no combate ao crime.O candidato do PT, Lindberg Farias, concorda que durante o período da pesquisa (2008 – 2012)os homicídios de fato foram reduzidos, mas chama atenção para o fato de que piorou muito durante os últimos 18 meses.

O senador Marcelo Crivella (PR) considera os números ainda muito altos e que a política de segurança pode diminuir muito mais as taxas de homicídios. O candidato do Psol, Tarcísio Motta, diz que os homicídios vêm caindo desde 2002, mas que em 2013 subiram muito. Por isso, defende uma mudança radical na política de segurança pública. Para Garotinho, candidato do PRB, a prioridade deve ser dada à polícia técnica no combate à criminalidade.

Pezão – PMDB

“Os números são resultado da atual política de segurança, que prioriza o uso da inteligência no combate ao crime. Estamos no rumo certo. Vamos intensificar o projeto de UPPs, chegando a 90 até 2018 em todo estado. Também vamos aprimorar ainda mais a formação e treinamento dos policiais civis e militares, com a devida valorização destes profissionais.

A ocupação dos territórios caminha lado a lado com o combate aos agentes do crime – uma coisa não exclui a outra. A nossa prioridade sempre será a preservação da vida. Por isso, nosso objetivo sempre será o de não ter um só óbito entre os moradores durante as ocupações.

Vamos contratar mais seis mil policiais, o que elevará nosso efetivo para o número de 54 mil agentes. Atualmente, o estado possui 48 mil policiais. Nossa meta é ampliar para 60 mil PMs até 2018. Vamos criar mais três batalhões da PM: Itaguaí, Nova Iguaçu e um na Região dos Lagos”.

Lindberg – PT

“De fato, o número de homicídios foi reduzido no período da pesquisa. Contudo, pioraram demasiadamente nos últimos 18 meses. Em 2013, houve aumento para 4.761. E no primeiro semestre deste ano houve um aumento de 13% em relação ao primeiro semestre do ano passado. É o pior resultado desde 2009.

Penso que uma política de segurança tem que ser para todo o estado, para o interior e para a capital, para as comunidades e para os bairros. O projeto das UPPs é o mais adequado. Mas deveria ter sido implantado corretamente, transformada em um espaço seguro e vivo com educação, atividades culturais, prática esportiva e formação técnica e profissionalizante.

É preciso ter uma política de segurança específica para a Zona Oeste do Rio e para o interior também. Para a Baixada, teremos que aumentar a quantidade de policiais nos Batalhões 15º, 20º, 21º, 24º, 34º e 39º. Para São Gonçalo, vamos aumentar a quantidade de policiais no 7º Batalhão. É possível prender criminosos e preservar vidas”.

Crivella – PRB

“Ainda que estes números sejam verdadeiros, eles ainda são muito altos e nós precisamos reduzir mais. A questão da violência no Rio está atrelada ao modelo de segurança pública. As UPPS precisam ser ampliadas, com a oferta de serviços públicos de qualidade, e de políticas sociais efetivas.

O papel da segurança pública no meu governo será combater incessantemente o crime em qualquer território que ele estiver. Vamos investir no aumento real do policiamento ostensivo na Baixada Fluminense e São Gonçalo. Uma das nossas marcas será a transparência no Orçamento Público. O governo atual anuncia haver investido mais de R$ 9 bilhões na segurança pública. Aonde foi investida esta fortuna?

Outra grande ação que fará muita diferença na vida do cidadão fluminense é o Pacto do Sudeste. Atuando em conjunto, as polícias do sudeste farão frente às ações criminosas que trazem armas e drogas para a região com o consequente recrudescimento do crime e insegurança às pessoas”.

Tarcísio Motta – Psol

“Concordo que somente com uma reforma profunda da nossa polícia conseguiremos diminuir os índices de violência. Mas discordo que a UPP representa uma mudança na filosofia da segurança. O índice de homicídios no Rio de Janeiro vem caindo desde 2002. E não foi por causa da UPP. Pelo contrário. O ano de 2013 apresentou, pela primeira vez em mais de uma década, um aumento significativo do número de homicídios: 16,7%.

Na verdade, a UPP é uma peça chave do projeto de cidade que vem transformando a região metropolitana do estado em um balcão de negócios. Cumpre o papel de promover uma reordenação dos territórios do crime visando reduzir os conflitos armados nas áreas onde há interesses empresariais. Com isso, diminuem os tiroteios nas favelas com UPP e aumentam os índices de violência em outras regiões. Não houve uma mudança de filosofia. Queremos formar um novo modelo de polícia que respeite os direitos dos cidadãos, valorize seus servidores e priorize o combate ao tráfico de armamento”.

Garotinho – PR

“Vou implantar o Batalhão de Defesa Social, porque não existe ocupação sem ação social: as unidades da PM em todo o estado passarão a contar com representação da Defensoria Pública, com assistentes sociais e postos do Sistema Nacional de Empregos.

Vou investir no fortalecimento da polícia técnica e no treinamento dos policiais militares e aumentar o efetivo de rua da PM. Ainda mandarei de volta para os seus respectivos municípios, e, isso, inclui São Gonçalo e Niterói, os policiais que foram deslocados para a Zona Sul do Rio e vamos prender os bandidos que migraram do Rio para a Região Metropolitana do Estado.

Esses são os principais desafios. As UPPs, do jeito que estão hoje, são um programa incompleto, porque não prende o bandido. Ela chega a determinada comunidade e expulsa os bandidos para outros lugares. Quero fazer diferente. No meu governo, vamos prender os bandidos. Assim como fiz com Beira Mar.”

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