Mulheres da Baixada exigem atenção às vítimas de violência da região

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Texto por
Comunicação Casa
Data
22 de maio de 2018

Movimentos sociais de mulheres da Baixada Fluminense estão organizando uma petição virtual para tentar chamar a atenção da opinião pública sobre o grave descaso do estado do Rio para o atendimento especializado para a mulher em casos de violência na região. O CIAM Baixada (Centro Integrado do Atendimento à Mulher da Baixada Fluminense) está abandonado!

Mas você sabe o que é a Baixada Fluminense? Esse é um território constituído por 13 municípios e reconhecido como a periferia da Região Metropolitana do Rio: Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Seropédica.

A região necessita de infraestrutura urbana tanto em quantidade como em qualidade, há insuficiência de creches, escolas, postos de saúde, hospitais, transporte público e saneamento básico.

Para além disso,  a taxa média de homicídios por 100 mil habitantes na Baixada é o dobro da taxa do município do Rio, onde as vítimas em sua grande maioria são jovens negros.

 

 

Violência contra a Mulher

Quanto falamos sobre a violência contra a mulher, segundo os dados do Dossiê Mulher apresentados este ano (ISP – 2018) a Baixada concentrou altíssimos índices em comparação às demais regiões do estado em 2017:
– 24,7% dos registros de vítimas de homicídio doloso;
– 25,2% dos registros de mulheres vítimas de tentativa de homicídio;
– 24,1% dos registros de vítimas de lesão corporal dolosa;
– 26,1% dos registros de vítimas de estupro.

Esses números demonstram a dramática realidade cotidiana das mulheres da Baixada Fluminense que além de reivindicar os serviços de infraestrutura urbana, lutam para garantir sua própria vida. Essa realidade violenta que as mulheres residentes nos municípios da Baixada Fluminense enfrentam no seu cotidiano é de longa data.

Por esse motivo, os movimentos de mulheres e feministas reivindicaram serviços especializados no atendimento às mulheres vítimas de violência para a Região e a construção do CIAM Baixada (Centro Integrado do Atendimento à Mulher da Baixada Fluminense).

“O alto índice de violência que as mulheres da Baixada Fluminense vivenciam demonstra a urgência dessa situação. Para essas mulheres ter a garantia de um espaço digno de atendimento com uma metodologia adequada parece ser uma afronta. Qualquer explicação que o governo do estado queira dar para esse desmonte é injustificável”, afirma Luciene Medeiros, uma das organizadoras do movimento.

Para a mulher residente da Baixada Fluminense vítima de estupro, lesão corporal e ameaça, que busca o atendimento do CIAM-Baixada, é reservada apenas uma salinha nos fundos de uma delegacia, sem a garantia de sigilo para ela ser atendida. Elas são em sua grande maioria trabalhadoras negras e pobres. É assim que são tratadas as mulheres vítimas de violência pelo único serviço especializado estadual.

Diante dessa realidade, mulheres dos movimentos feministas da Baixada Fluminense solicita que a Comissão de Segurança do Cedim se posicione sobre esse fato, assim como exige que a Subsecretaria de Políticas para as Mulheres da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos (SPMulheres-RJ/SEASDH) recupere o prédio localizado à Rua Benardino de Melo, s/n.º, Bairro da Luz, Nova Iguaçu, que foi construído por pressão popular e com recursos do BID.

O grupo convida para uma reunião que vai discutir a situação na próxima quarta feira (30/05), às 16h30, no SEPE-Caxias. Confira aqui o link do evento.

É urgente a retomada desse espaço para que o CIAM-Baixada (Centro Integrado no Atendimento à Mulher da Baixada Fluminense) volte a funcionar atendendo de forma digna as mulheres da região.

#MulheresBaixadaFluminenseExigemRespeito

Se você quer apoiar essa causa, assine a petição!

Pela RETOMADA e REFORMA do Ciam-Baixada com URGÊNCIA.

Esse texto foi construído com informações de Luciene Medeiros – coordenadora geral do Fórum Municipal dos Direitos da Mulher de Duque de Caxias.

Leia mais: Mulheres da Baixada lançam Cartografia Social

Atualização: No próximo dia 14 de junho – três meses sem Marielle Franco –, as mulheres da Baixada realizarão um abraço ao prédio do CIAM, às 10h.

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#PelaRetomadadoCIAMBaixada
#ResisteCIAMBaixada

 

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