Gardênia Azul Diversidade: construindo uma assistência social inclusiva

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Texto por
Comunicação Casa
Data
12 de janeiro de 2024

Fazer com que a assistência social chegue a pessoas LGBTQIA+, principalmente as moradoras das favelas e periferias da metrópole, é um trabalho que a própria comunidade vem fazendo para alcançar quem não é assistido pelo governo do estado. Trabalhos como o realizado pela ONG Gardênia Azul Diversidade surgem para promover não só o apoio à uma comunidade esquecida pelas políticas públicas, mas também para criar um espaço de acolhimento e construção de redes. Cris Lacerda, pessoa não-binárie e estudante do mestrado de Planejamento Urbano e Regional na UFRJ, é presidente e fundadore da Gardênia Azul Diversidade, organização que realiza um trabalho de assistência social à população LGBTQIA+ da comunidade do Gardênia, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro.

Em entrevista à Casa Fluminense, Cris falou sobre a história e o trabalho realizado pela Gardênia Azul Diversidade. Segundo Cris, a vontade de construir uma rede de apoio social para sua comunidade surgiu de uma situação de vulnerabilidade alimentar que passou em 2021. O que faltava era o apoio financeiro e institucional necessário para conseguir conduzir o projeto. Em 2023, a ONG iniciou suas atividades a partir do apoio da Casa Fluminense através do Edital Agenda Rio 2030.

“Eu passei por muita insegurança alimentar em 2021 e recebi ajuda da minha rede de ativismo. A partir dessa rede surgiu a ideia da ONG que inicialmente tinha o objetivo de distribuir cestas básicas, mas a ideia foi crescendo e com o financiamento do Fundo Casa Fluminense nós conseguimos trabalhar a justiça de gênero”, conta Cris.

Gardênia Azul mais inclusiva

A Organização que apoia majoritariamente pessoas trans, nasceu também da participação de Cris no Curso de Políticas Públicas 2023 da Casa Flu. Essa experiência deu uma perspectiva de que a iniciativa pudesse também pensar na incidência política do Gardênia para a garantia da Justiça de Gênero e Econômica do território. A primeira ação a partir do apoio da Casa foi um mutirão de retificação de nome, garantindo o acesso de pessoas trans a documentos que sejam fiéis às suas identidades de gênero e aos seus nomes.

O projeto de retificação de nome é um marco expressivo nessa trajetória, que aponta para um futuro mais inclusivo para Gardênia Azul e para a Metrópole do Rio. Cris relata que, “Além da ação de retificação de nome e gênero no território, também tivemos a oportunidade de melhorar a estrutura para nossa ONG, com equipamentos como um notebook, materiais de escritório, impressora, banner, camisa, adesivos. Tudo isso trouxe maior visibilidade da nossa ONG no território”.

Para além da burocracia das mudanças de documento, a ONG quer abraçar a riqueza cultural local e busca criar oportunidades palpáveis para os jovens do território. Cris ressalta a necessidade de dar mais oportunidades de empregabilidade para as pessoas LGBTQIA+ da comunidade, para além da visibilidade à diversidade cultural, que é essencial, poder oferecer também caminhos para a criação de oportunidades profissionais dessas pessoas.

As projeções de atividades da ONG transcendem as ações imediatas, eles pretendem não apenas realizar projetos futuros voltados para empregabilidade, mas também planeja reviver o Dia da Diversidade, potencializando a cultura no meio dos jovens assistidos pelo Gardênia Azul Diversidade, com a intenção de incentivar também seus acessos ao espaço cultural. “Fomentar uma cultura que temos certeza que existe no território, mas é invisibilizado. Nosso próximo passo é dar visibilidade para essas jovens potências da cultura aqui do território”, ressaltou Cris. Essas iniciativas reforçam o compromisso da organização em pensar uma Gardênia Azul mais acolhedora e inclusiva para a população LGBTQIA+, projetando um futuro de transformação e organização para forjar um território mais inclusivo e justo. 

Construção Coletiva

A organização projeta a possibilidade de colaborar para a construção de um território que não só ofereça apoio para essas pessoas, mas também onde pessoas LGBTQIA+ possam encontrar uma real assistência e acolhimento social. Como presidente da Ong, participante da Frente LGBTQIA+ do Rio de Janeiro e do Fórum TTRJ, Cris acredita que o trabalho desenvolvido pela Gardênia Azul Diversidade e por outros coletivos estão no rumo para novas possibilidades de futuro para a população LGBTQIA+ na Metrópole do Rio.

Cris, compartilhou um pouco do que elu projeta para o futuro Rio, almejando que “a gente consiga transformar o Rio de Janeiro num território mais igual e equânime, onde as pessoas que estejam nos espaços mais segregados possam ter um tratamento mais justo”, afirmou.

Construir coletivamente ações que pensam um futuro melhor para a população do seu território é um dos incentivos que o Edital se propõe, e a Gardênia Azul Diversidade, colocou em prática essa missão, trabalhando para garantir que as atividades da organização impactasse de forma positiva a vida de quem busca pelo básico e sonha com melhores possibilidades de futuro. O Edital Agenda Rio 2030 conecta os projetos a uma das principais missões da Casa Fluminense: construir coletivamente políticas e ações para a redução das desigualdades na RMRJ. 

Cris, que acredita na importância da inclusão de projetos como o Gardênia nessa conta, e compartilhou também que espera poder organizar e criar ferramentas coletivas para pensar um Rio 2030 mais justo e inclusivo. “A gente tem que se organizar, criar mecanismos e desenvolver ações, a Agenda 2030, vem justamente nesse sentido de organizar todo esse movimento para que no futuro possamos trazer um pouco mais de justiça de gênero, econômica, climática e racial”, afirmou Cris.

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