Editorial Casa 2021: Apesar de tudo, estamos aqui pelo Rio metropolitano

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Texto por
Comunicação Casa
Data
4 de março de 2021

A pandemia do COVID-19 atingiu o mundo inteiro, mas seus impactos são diferentes em cada região e país. No Brasil, que já ultrapassou 260 mil mortos na data de hoje (04/03), a situação é agravada pela omissão e sabotagem do presidente Jair Bolsonaro na condução da crise. A falta de coordenação entre o governo federal, os estados e as prefeituras, o atraso na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde, a disseminação de informações falsas até mesmo pelo próprio presidente, entre outros absurdos, criam uma situação de caos e horror difícil de descrever em palavras. 

No Rio, o novo governo na prefeitura da capital chegou com o lema de “fazer o Rio voltar a dar certo”, porém a crise financeira, econômica, social e sanitária tornará essa tarefa mais difícil do que podemos imaginar. Enquanto isso, os problemas se avolumam na metrópole fluminense. Da crise nos transportes ao desemprego em massa, do retorno da fome à falta de água em casa, da ausência de vacinas às aglomerações irresponsáveis. Uma situação complexa e dramática.

Em 2020, uma das poucas notícias que geram esperança foram as iniciativas de solidariedade promovidas pela sociedade civil para reduzir o impacto da crise na população mais pobre. Foram ações concretas de coordenação, união e empatia, tudo aquilo que faltou ao governo federal. A Casa Fluminense também se juntou às redes de solidariedade para articular a distribuição de cestas básicas e produtos de limpeza. Também contribuiu com a difusão de dados e informações sobre desigualdade, além de apresentar e debater propostas para as cidades durante o período eleitoral. Ficamos ao lado da vida e da ciência.

Ao longo da crise, a Casa Fluminense completou 8 anos de existência em 2021. Durante o período de avaliação e planejamento, decidimos traçar objetivos de médio e longo prazo para orientar a atuação da organização nos próximos anos. Sabemos a dificuldade de planejar num cenário tão volátil, complexo e cheio de incertezas, em que as mudanças globais podem mudar completamente nossas vidas, como aconteceu com a crise do COVID-19. No entanto, também entendemos que a ausência de uma visão estratégica para a organização pode enfraquecer o seu propósito, reduzindo seu foco e contribuição para a sociedade. Portanto, depois de muitas consultas ao Conselho, aos associados e à equipe da Casa, definimos os 4 objetivos que devem orientar a atuação da organização nos próximos 4 anos. 

1 – Fortalecer lideranças sociais e organizações populares

O público-alvo dos projetos da Casa Fluminense são lideranças sociais que atuam em diferentes coletivos, movimentos e organizações da periferia metropolitana, com foco em mulheres, pessoas negras e jovens. Atuaremos para fortalecer essa Rede de Lideranças, contribuindo para a construção de uma visão crítica e propositiva sobre políticas públicas na metrópole. Capacitação, formação continuada e intercâmbio entre os participantes serão promovidos por meio do Curso de Políticas Públicas, Fórum Rio e outros projetos. Com a permanência das medidas de isolamento social, as ações de formação serão feitas em formato on-line. O apoio e o suporte às organizações populares serão realizados pelo Fundo Casa Fluminense, aumentando o acesso da rede aos recursos técnicos e financeiros. Um dos aprendizados que a pandemia COVID-19 proporcionou foi a compreensão sobre o papel das organizações comunitárias nas redes de emergência e solidariedade aos mais pobres, por isso é fundamental a chegada de recursos que visem apoiar o desenvolvimento de iniciativas e soluções locais. Esperamos que essas ações contribuam para ampliar o impacto de lideranças e organizações populares nos seus territórios, além de fortalecer o sentido de pertencimento e identidade metropolitana dessa geração.

2 – Monitorar políticas públicas com a rede de parceiros

O monitoramento das políticas públicas deve ser uma ação política e coletiva, que amplia a capacidade de cooperação e atuação conjunta entre diferentes atores da sociedade civil. A Casa fortalecerá suas articulações territoriais e temáticas com a rede de parceiros,  estabelecendo focos para o monitoramento compartilhado de políticas públicas. Projetos como Agendas Locais, Mapa da Desigualdade, Infográficos, Agenda Rio 2030, relatórios, cartilhas e outras publicações deverão contar com estreita colaboração da rede de parceiros e contribuir para qualificar o debate público. Entre os municípios que acompanharemos com atenção — além da capital, com o Plano de Metas dos Rio de Janeiro, o Plano Santa Cruz 2030 e a Carta pelo saneamento da Maré — temos ainda Queimados, Japeri e São Gonçalo, com suas Agendas Locais. Das agendas temáticas, transporte, segurança, saneamento, saúde, habitação, cultura e governança metropolitana.

3 – Ampliar estratégias de incidência política

A partir do trabalho de mobilização social e difusão de informações descrito nos dois primeiros objetivos, com uma base popular fortalecida, teremos mais capacidades de incidência política. Nas prefeituras e secretarias estaduais em que houver espaço para interlocução qualificada, manteremos o foco no acompanhamento crítico e na cooperação com a elaboração das políticas públicas. Em outras circunstâncias, será fundamental a interlocução ampla com poder legislativo, Ministério Público e Defensoria Pública para fiscalização e incidência no governo de Estado e prefeituras. Neste contexto, a Casa deverá contribuir com a construção de estratégias conjuntas de advocacy de curto e médio prazo em temas como tarifa dos transportes públicos, acessibilidade das estações de trem, letalidade policial ou investimentos em saneamento básico, sempre em articulação com sua rede de parceiros e com repercussão nas diferentes plataformas de mídia.

4 – Desenvolver a sustentabilidade política, financeira e institucional

A revisão da política de associados da Casa Fluminense tornará mais simples e eficiente a participação de seus membros, estabelecendo novos espaços de colaboração, apoio e conexão com a organização. As medidas deverão fortalecer vínculos de pertencimento entre os associados e à Casa, promovendo maior integração desses com o conselho de governança e equipe executiva. O aumento das doações individuais, tanto com a contribuição dos associados, quanto dos apoiadores que se identificam com o trabalho da organização, será importante nos próximos anos. Do ponto de vista do núcleo executivo, serão implementadas ações de cuidado e apoio ao desenvolvimento dos membros da equipe. Também vamos aperfeiçoar a qualidade da gestão, integração e avaliação dos projetos, melhorando o monitoramento dos resultados e dos impactos da organização. Por fim, avançaremos na construção de uma comunicação posicionada como dimensão estratégica da organização.

Sabemos que os próximos anos não serão fáceis e a previsão é de agravamento da crise política, social, econômica e sanitária. No Brasil, estaremos juntos com as forças progressistas e democráticas em defesa da vida, que deverão se agrupar para superar a extrema-direita violenta, negacionista e genocida. No Rio, estaremos juntos com lideranças sociais, coletivos populares e organizações da sociedade civil na busca por maior participação social, políticas para a redução das desigualdades e na defesa de um projeto de desenvolvimento inclusivo e sustentável na metrópole do Rio.

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Download - Mapa da desigualdade

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