De Olho no Transporte analisa o risco da poluição para a saúde do passageiro

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Texto por
Luize Sampaio
Data
27 de setembro de 2022

Durante a semana da mobilidade, mais precisamente no dia mundial sem carro (23/09), a Casa Fluminense se reuniu com lideranças parceiras para uma ação de lançamento e também conscientização sobre a importância de se investir em energias limpas. Isso porque, a nova edição do De Olho no Transporte aponta que até 2025, a cada duas horas uma pessoa pode morrer por conta da poluição do ar na Região Metropolitana do Rio.

Quem depende dos ônibus e BRTs diariamente acaba sendo um grupo de risco já que o transporte movido a diesel é um dos principais elementos que contribuem hoje para essa poluição na metrópole fluminense. Para alertar os passageiros e pressionar a compra de frotas elétricas, a Casa fez intervenções em pontos de grande circulação do Rio: o Terminal BRT Alvorada e a Central do Brasil.

A galera da Greve do Clima se juntou ao ato de sexta-feira na Central do Brasil. Foto: Taynara Cabral

Nas redes, a instituição lançou a nova edição do De Olho no Transporte junto em uma live para explicar os três pilares de mudança mais urgentes para o Rio: a eletromoblidade, o fortalecimento da autoridade metropolitana e a criação do Sistema Único da Mobilidade.

A cada duas horas uma pessoa pode morrer por conta da poluição do ar até 2025 na Região Metropolitana do Rio. Foto: Luize Sampaio

O grupo viu e ouviu muitos relatos sobre a superlotação e a falta de frotas durante as ações de lançamento da terceira edição do De Olho no Transporte. Além de trazer analises sobre esses problemas históricos, este ano a publicação também trouxe para o debate do transporte público uma questão de saúde.

Dados do DOT escancaram a urgência de um novo tipo de olhar e gestão para o transporte público do Rio. O De Olho no Transporte deste ano busca ajudar a mostrar quais devem ser os caminhos para essa transformação. A eletromobilidade já é uma realidade em diversas cidades do eixo sul- americano e também em brasileiras, a nova edição mapeou esses pontos. O assessor de informação da Casa, Lucas Martins, falou sobre quais são os entraves para essa mudança na metrópole do Rio.

“Na busca por um sistema mais sustentável falamos no DOT sobre a eletrificação dos ônibus. Claro que existem sempre obstáculos para a adoção de uma nova tecnologia mas eu diria que o principal entrave seria a a vontade política ou não para essa mudança de se fazer uma reorganização orçamentária para incluir esse investimento que vai melhorar a vida de todos os passageiros.”, resumiu Martins.

Bom, barato, seguro e limpo

A eletromobildiade é uma das respostas para que o transporte público seja limpo, que não emita mais nenhum gás poluente. Mas as outras premissas defendidas pela Casa e parceiros também foram abordadas na nova publicação. Outra duas sugestões que são apresentadas no DOT para a doção do poder público é o fortalecimento da autoridade metropolitana e também a criação do Sistema Único de Mobilidade. A assessora de informação da Casa, Bruna Neres, comentou sobre como a crise do transporte é de responsabilidade de todos os poderes.

“A metrópole do Rio concentra mais de 76% da população de todo o estado em apenas 15% do território estadual, existe um fluxo intenso entre as cidades. Não tem como uma prefeitura responder aos problemas do transporte sozinha, isso explica a importância de se ter uma autoridade metropolitana ativa. A gente defende que esse ente faça a integração e gestão de trens, barcas e ônibus. Isso traz uma inovação na gestão, criando um sistema único entre eles, aumentando a qualidade de vida dos passageiros”, afirmou a pesquisadora.

Nas ruas e nas redes também

Apesar de serem temas técnicos, é urgente que mais pessoas passem a ter acesso a essas discussões. Por isso a Casa além da distribuição de material na rua, também realizou uma live com especialistas para introduzir mais as pautas. Foram convidadas para o papo a coordenadora Sênior de Transporte Público no ITDP, Beatriz Rodrigues, e a analista de Mobilidade Urbana no IDEC, Annie Oviedo. A especialista explicou, por exemplo, o Sistema Único de Mobilidade seria uma espécie de SUS do transporte, já que a mobilidade é também um direito constitucional assim como o acesso a saúde.

“Não tem como o carro, uma solução individual, resolver um problema coletivo que é a mobilidade. Se todo mundo sair de carro, ninguém vai para lugar nenhum. As taxas de motorização estão muito altas pq as pessoas não tem acesso a transporte coletivo de qualidade. Hoje, quem tem carro ou moto se locomove e quem não tem dinheiro para isso, fica imóvel. A lógica atual de funcionamento do transporte publico alimenta uma logística de concentração de renda na mão de poucos por isso estamos defendendo a criação do SUS do transporte”, resumiu Annie Oviedo.

Confira abaixo a live de lançamento:

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