Como fomentar a ação em rede?

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Texto por
Livia Cunto
Data
1 de dezembro de 2016

Na parte da tarde, alguns participantes do 8º Fórum Rio se reuniram para pensar estratégias de mobilização e atuação conjunta em 2017, buscando entender como o espaço da rede da Casa pode fomentar mais e melhor a integração entre os parceiros. Douglas Almeida, do Fórum Grita Baixada, Mariana Cavalcanti, conselheira da Casa Fluminense, e Dudu de Morro Agudo, do Instituto Enraizados, foram os provocadores iniciais.

Henrique Silveira, coordenador geral da Casa abriu a conversa apresentando os focos de atuação da organização: trabalho de base, articulação institucional e incidência política. Como a Casa pode ser um espaço que ajuda a catalisar processos para contribuir para um Rio mais igual, sustentável e democrático? Qual é o desafio da Casa no atual contexto de crise política e econômica? Como trabalhar o monitoramento e a transparência? Henrique sinalizou que a conversa geraria os primeiros insumos para o planejamento do próximo ciclo da organização.

Para Douglas Almeida, do Fórum Grita Baixada, 2016 foi um ano catastrófico do ponto de vista político, econômico e social. O principal desafio da sociedade civil “é fazer o debate fora das redes já engajadas. “É necessário conhecer a base e dialogar com ela, emponderando o conhecimento popular”.

Mariana Cavalcanti, antropóloga e sócia-fundadora da Casa, também aposta em abrir o leque e convidar novas pessoas e organizações. “A crise se apresenta em múltiplos níveis: afeta políticas que já tínhamos naturalizado e gera desconfiança  em relação às classes políticas – o Teleférico do Alemão é um símbolo representativo, por exemplo, da ruína do PAC”. A única saída a vista é enxergar a crise como oportunidade e a polarização como momento de disputa. Para ela é hora da Casa retomar as conversas nos territórios, buscando contribuir com a reconstrução do debate público.

“O mais importante são as pessoas que estão na Casa” começou Dudu de Morro Agudo. “Mas ainda tenho dificuldade de explicar o que ela é”, compartilhou ele. A comunicação é o ponto chave: “precisamos desmistificar o universo intelectualizado da Casa, pegar relatórios complexos e sintetizar em vídeos e textos curtos que falem com a juventude”.

Morador de Queimados e ativista do Queimados Pedalando para o Futuro, Carlos Leandro disse que estar na rede da Casa fortaleceu sua ação local. “É uma forma de unir e juntar quem se mobiliza nos municipios”.

Henrique explicou que a Casa se propõe a ser um espaço de construção de políticas públicas no Rio metropolitano com foco no aprofundamento democrático, na redução das desigualdades sociais e na promoção da sustentabilidade. “De 2013 até agora, conseguimos tecer uma rede e construir uma pauta entorno da escala metropolitana”. Ele relembrou a articulação em torno do Curso de Segurança Pública e Cidadã da Baixada, que legou a Carta da Baixada e negociação com a Secretaria de Segurança para implantação de Comitê Gestor para criação de um Programa Redução de Homicídios na Baixada Fluminense, composto de membros do poder público e da sociedade civil. “Em função da crise no Governo do Estado, o projeto não saiu do papel. Esse tipo de conexão é o que a Casa quer fazer”.

José Marcelo Zacchi, sócio-fundador e atual Coordenador Geral da Casa, acredita que ainda existe muito espaço para construir articulação na metrópole, conectando pessoas e encurtando distâncias. “Precisamos brigar pela metrópole, construir rede e definir nossas prioridades”. Ele convidou os parceiros a participar do processo de reflexão sobre o futuro da organização, que acontecerá em encontros e consultas online nos próximos três meses.

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