Casa Fluminense cobra licitação do Bilhete Único e lança novo Boletim da Agenda Rio

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Texto por
Comunicação Casa
Data
18 de abril de 2019

Dois milhões de pessoas na metrópole do Rio saem dos seus municípios de moradia todos os dias para acessar oportunidades na capital fluminense. Provavelmente, para a grande maioria delas, a possibilidade de acessar um transporte público de qualidade e acessível soa como uma hipótese muito distante. Pensando nisso, a Casa Fluminense foi até a Central do Brasil na quinta-feira (3/04) para lançar a nova edição do Boletim da Agenda Rio Transporte bom e barato é possível, durante a ação lúdica com o público que passou ao longo do dia.

Homem Bilhetão durante distribuição do Boletim da Agenda Rio
Foto: Kati Tortorelli/Chama Agência Rede

ACESSE: O Boletim da Agenda Rio – Transporte bom e barato é possível já está disponível para download

A necessidade de baratear as tarifas, a falta de transparência no sistema de transportes e a licitação do Bilhete Único foram algumas das temáticas abordadas durante a ação 5 minutos para descobrir que transporte bom e barato é possível. Realizada em parceria com o ITDP, a Chama Agência Rede, a Muta, o Idec, MobCidades e o ICS, a instalação tinha o formato de caixa penetrável. Nas faces externas, perguntas como “Por que a passagem é tão cara?”, “Dá para o transporte ser bom e barato?” e a “Como a corrupção influencia no preço da passagem?” provocaram a curiosidade do público.

Ao entrar na caixa, ao som dos mesmos ruídos que os passageiros estão habituados a ouvir no transporte, o público teve acesso a informações sobre caminhos para melhor financiar a operação dos transportes e uma linha do tempo relembrando as investigações das Operações Cadeia Velha e Ponto Final que apontaram esquemas de corrupção no sistema de transportes. Ao final da interação, a defesa da licitação do Bilhete Único estimulou debate sobre soluções para garantir regras mais transparentes e melhores para os usuários dos transportes, principalmente para os vivem nas periferias metropolitanas, que são mais impactados pelos deslocamentos e distâncias das oportunidades.

Em 2017, após as investigações apontarem a existência de uma caixinha de pagamento de propina semanal no sistema de transportes, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) solicitou a extinção da Fetranspor. Em novembro do mesmo ano, foi pactuado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro, o MP-RJ e o governo do estado para retirar o controle da bilhetagem eletrônica da Fetranspor, operada via empresa Riocard. O TAC determina a licitação da Bilhete e seu prazo termina no final de abril deste ano.

“Essa era uma promessa de campanha do governador Wilson Witzel que após mais de 100 dias e governo sequer foi discutida. A medida não exige investimento, apenas vontade política”, destaca Vitor Mihessen, coordenador de informação da Casa Fluminense. Enquanto isso, a população segue sentindo o peso do transporte no bolso e na qualidade de vida. “A realidade atual deixa pessoas sem condições de se deslocar para trabalhar e só aumenta a segregação de pessoas que moram nos municípios da periferia metropolitana”, acrescenta Mihessen.

Cerca de 1/4 do que Ângela Marques, de 53 anos, recebe como diarista são gastos com transporte público para que ela chegue ao local de trabalho. Ângela conta já ter perdido oportunidades de trabalho por morar em Itaboraí. Ela gasta mais de R$ 400 por mês apenas em passagens. “Por isso, trabalho até sábado e domingo. Não tenho descanso. O preço bate no bolso e na saúde. Este é um desabafo de uma vida inteira, passando sufoco, em pé, apertada e pagando caro”, conta.

O alto custo e falta de qualidade dos transportes impactam a vida de Ângela todo os dias.
Foto: Kati Tortorelli/Chama Agência Rede

Durante a ação na Central do Brasil foram distribuídos 3.500 exemplares do novo Boletim da Agenda Rio. Segundo da série de publicações, a edição faz parte da estratégia de monitoramento da Agenda Rio 2030, documento que reúne propostas de políticas públicas, construído a partir da colaboração de mais de 50 organizações, movimentos e coletivos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Conversamos com as pessoas que circulavam pela Central do Brasil durante a ação, perguntamos se elas sabiam os motivos pelo quais a tarifa dos transportes são tão caras e pedimos para que nos contassem como essa realidade afeta suas vidas. Assista e veja o que elas nos disseram:

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