Acreditando na importância de fortalecer o acesso à universidade para moradores de favelas e periferias, a Casa Fluminense inicia um novo ciclo de apoio à Juventude Popular nas Universidades (JUV), projeto voltado ao fortalecimento de pré-vestibulares comunitários e populares da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Nesta edição, a Casa soma forças com o Projeto SETA, realizando o apoio financeiro e formativo dos prés que trabalham pelo ingresso e a permanência da juventude negra, favelada e periférica no ensino superior.
O JUV representa uma das linhas de apoio do Fundo Casa Fluminense, iniciativa que financia movimentos, coletivos e organizações da sociedade civil comprometidos com o enfrentamento das desigualdades que atravessam favelas, periferias e comunidades vulnerabilizadas da metrópole.
Após passar, no último ano, por um período de incerteza diante da falta de financiamento para garantir a continuidade do projeto, a Casa Fluminense estabeleceu novas parcerias para garantir a permanência do projeto, que há mais de 6 anos vem contribuindo para o ingresso de centenas de jovens da Baixada Fluminense ao Leste Metropolitano nas universidades.
“É muito importante garantir que esse projeto continue de pé, porque ele abre portas que podem mudar a vida de jovens e adultos que acessam a universidade. O JUV amplia horizontes de famílias e fortalece novos projetos de futuro”, afirma Paola Lima, coordenadora de mobilização da Casa Fluminense.





Neste mês de abril, foi realizado um encontro de pactuação marcando o novo ciclo, em parceria com o Projeto SETA, que possibilitou a continuidade do apoio a 10 pré-vestibulares populares que integram a rede do JUV, marcando o 7º ano de apoio realizado pelo Fundo Casa Fluminense.
O Projeto SETA (Sistema de Educação por uma Transformação Antirracista) é desenvolvido a partir de uma aliança entre organizações como ActionAid, Ação Educativa, Campanha Nacional pelo Direito à Educação, CONAQ, Geledés, Makira-E’ta e UNEafro Brasil. A iniciativa atua na transformação do ecossistema da educação pública no país, promovendo a institucionalização da equidade racial nas políticas e práticas educacionais.
“As juventudes negras, indígenas e quilombolas são um público prioritário para as ações propostas no projeto SETA, que visa à construção de um sistema de educação pública por uma transformação antirracista, que passa pelo acesso à educação de qualidade com equidade. Pensando no ensino superior, percebemos uma inequidade no acesso às universidades por essas juventudes. Dessa forma, a capilaridade do JUV na Região Metropolitana do Rio de Janeiro auxilia no aumento do acesso destes nas universidades”, destaca a equipe de Articulação e Educação do projeto.

Para os pré-vestibulares apoiados, a continuidade do ciclo representa mais do que um suporte financeiro; é a possibilidade de manter suas atividades com maior segurança. Em sua maioria, esses projetos são conduzidos de forma voluntária, suprindo lacunas deixadas pelo poder público no preparo de estudantes de escolas públicas, especialmente aqueles oriundos de favelas e periferias, para o ingresso no ensino superior.
Nesse contexto, fortalecer esses projetos significa incidir diretamente em um dos problemas que mais impacta a juventude brasileira: a falta de acesso adequado à educação. A equipe do SETA reforça: “O apoio reflete no fortalecimento de uma organização que tem um projeto de longo prazo e com resultados significativos no acesso das juventudes ao ensino superior. Isso impacta diretamente na ampliação de perspectiva de projeto de vida da juventude fluminense”.
Sustentados, em grande parte, por doações e apoios institucionais, os pré-vestibulares populares também assumem demandas que vão além da preparação acadêmica. São espaços de acolhimento, formação política e apoio cotidiano a jovens e adultos atravessados por diversas desigualdades. Marcyllene Maria, da equipe do Pré-Vestibular Comunitário Nós por Nós, que atua em São Gonçalo, leste da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, contou sobre a importância do apoio para alcançar as diferentes demandas de professores e alunos do curso.

“Com o apoio da Casa Fluminense, a gente pôde fornecer as práticas terapêuticas em todas as vésperas da prova, e isso fez toda a diferença para os alunos. Começamos a incluir também a equipe de educadores nas práticas, cuidando de quem cuida. E, nesse ano, vamos ter uma psicóloga que vai acompanhar exclusivamente a equipe de professores”, compartilha Maria.
Mais do que garantir o acesso à universidade, o Juventude Popular nas Universidades reafirma a importância de investir em iniciativas construídas a partir dos territórios, reconhecendo que a educação popular é uma ferramenta estratégica no enfrentamento das desigualdades sociais.
“Eu sou fruto de um pré-vestibular comunitário, estou terminando minha tese de doutorado, vindo de Queimados, na Baixada Fluminense. É importante para a gente entender que viemos de algum lugar, e é muito importante também sermos referência para essas pessoas que abrimos caminhos, assim como abriram caminhos para nós”, pontua Jorge Peixoto, coordenador do Pré-Vestibular Comunitário Ampara.
Iniciar mais um ciclo do JUV é consolidar um trabalho construído em rede, contribuindo para que cada vez mais jovens da Região Metropolitana do Rio de Janeiro possam acessar, permanecer e transformar o ensino superior e, a partir disso, impactar seus territórios.