Juventude de Itaboraí cria laboratório de dados sobre a cidade

Texto por
Luize Sampaio
Data
12 de janeiro de 2023

No Leste Fluminense, universitários moradores de Itaboraí criaram um espaço de pesquisa territorial cidadã. Formado pela juventude negra da cidade, o Observatório de Itaboraí acaba de completar um ano de vida com feitos importantes para a cidade que, segundo eles, está esquecida desde as promessas do Comperj. Nas ruas conversando com moradores, o Observatório já conseguiu produzir campanhas de conscientização para as eleições e pesquisas únicas e exclusivas para Itaboraí. 

Observatório de Itaboraí é formado pela juventude preta do território que também é responsável pela Agenda Itaboraí 2030.  Foto: Mayara Donaria

Formado por oito distritos, Itaboraí ainda hoje tem áreas não reconhecidas pelo poder público. Esse é o caso da comunidade do Rato Molhado, que fica localizada ao lado do centro da cidade. Com mais de 30 anos de existência, a favela sofre com a invisibilidade que prejudica seus moradores a terem acesso a serviços e políticas públicas básicas, como o saneamento.

Com o apoio do Fundo Casa, o Observatório de Itaboraí tem realizado um mapeamento geográfico e socioeconômico no Rato Molhado com objetivo de atrair mais atenção da prefeitura para a região. É o que explicou o coordenador e fundador do projeto, Everton dos Reis. 

“Já fizemos esse tipo de trabalho em outros pontos da cidade, a gente vem primeiro entender as dinâmicas geográficas da área, mapear as ruas e conversar com os moradores. Esse trabalho de escuta é o primeiro passo para que juntos com quem mora aqui a gente possa entender quais as principais demandas e possibilidade de desenvolvimento da região. No Rato Molhado, as enchentes são as maiores queixas. Com esse mapeamento em mãos, vamos trabalhar junto com a gestão pública para que a gente consiga mudar essa realidade”, explicou o coordenador. 

Primeira visita técnica do Observatório na comunidade do Rato Molhado. Foto: Mayara Donaria

“Pensar a criação do observatório veio de uma demanda da a gente enquanto morador conhecer mais a nossa cidade, não tem muitos dados sobre Itaboraí disponíveis”

O principal objetivo do Observatório é promover novas políticas públicas e projetos de lei para Itaboraí. Eles entenderam já na sua origem que para isso seria importante unir duas frentes: diálogo constante e direto com a população e também a geração cidadã de dados. 

“Estamos juntos com a base da sociedade, a construção desses dados é feita junto com os cidadãos de Itaboraí. Estamos sempre nas ruas, conversando e mapeando as demandas para produzir diagnósticos, voltar para a rua, elaborar e publicar pesquisas para a nossa cidade”, resumiu Reis. 

De distrito em distrito, passando pelas vielas de todo o município, o Observatório atraiu também uma rede de voluntários, hoje são cerca de 20 moradores que ajudam nesse dia a dia de coleta de dados junto a população. O grupo relata que hoje percebe a cidade tirada do mapa, por estar distante da capital do estado e também pelo pouco repasse de recursos públicos de todos os níveis de poder.

Eles vislumbram um novo futuro para Itaboraí agora com a chegada de um novo governo. O projeto da Comperj, por exemplo, era uma aspiração que foi construída durante o último mandato do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. 

“A gente projeta um crescimento para a nossa cidade, principalmente de atenção e investimento a nível nacional, queremos a retomada do Comperj. Esse é um ponto importante para Itaboraí, mas que está abandonado depois de ter gerado muito emprego para a cidade. O governo federal precisa estar mais presente principalmente em relação ao nosso desenvolvimento social”, comentou o fundador do Observatório de Itaboraí. 

A Agenda Itaboraí 2030 já está disponível para download.  Foto: Mayara Donaria

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