Curso abre as portas da universidade para população atravessada pelo sistema prisional

Texto por
Luize Sampaio
Data
28 de outubro de 2022

Uma mulher negra que é acusada de um crime e é inocentada pode não ser presa, mas também encara um cenário opressor de descaso e esquecimento. A inserção dessas pessoas no ambiente de trabalho é um desafio. Foi nesse contexto que surgiu a iniciativa GastroJus. O Fórum Permanente de Saúde no Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro (FPSSP-RJ), o projeto Justiça para Elas, Tribunal de Justiça do Rio, UERJ e Instituto de Nutrição da UFRJ criaram de forma coletiva esse projeto que disponibiliza capacitação gastronômica para mulheres e pessoas LGBTQIA+ que passaram pelo sistema prisional.  

Alunos, professores e representantes de instituições são os responsáveis pela produção do curso, que foi iniciado em outubro. Foto: Mayara Donaria

Camila Baldanzani, representante do Fórum contou como essa articulação diversa foi firmada.  O projeto Justiça para Elas, é um dos braços principais essa junção. 

“Implementamos um serviço de atendimento prévio a mulheres que vão passar por audiências de custódia. Uma coisa que é gritante nesse contexto é a situação das mulheres que são liberadas na audiência mas passam a ter dificuldade, por diversos motivos, desde racismo e preconceito, de se inserir no mercado de trabalho ou terem acesso a formação em áreas em que elas têm interesse. Essa parceria surge de um interesse comum das instituições em produzir um trabalho implicado e comprometido com a justiça social”, explicou a representante. 

Penha é umas das mulheres que vão participar do curso, apesar de já ter experiência, ela tem sofrido para conseguir se reinserir no mercado de trabalho. Foto: Mayara Donaria

O curso selecionou 23 mulheres cis e trans, além de um homem trans, para participar de oito oficinas práticas e teóricas com certificado garantido. A ideia é que esse seja um passo a mais na efetivação de direitos. O Gastrojus tem um comprometimento social com o debate e combate à fome. A coordenação almeja que o curso seja um primeiro passo para a reinserção desses alunos no mercado de trabalho ou então abra caminhos para transformar essas pessoas em produtores autônomos de alimentos também.  

Universidade de portas abertas

Uma das principais diferenciações do projeto é seu território de atuação. É simbólico que a universidade federal do estado esteja abrindo suas salas para um grupo de alunos que não fazem parte do corpo de graduação oficial. O Gastrojus faz parte das atividades do curso de extensão de nutrição e gastronomia da UFRJ, os estudantes dessas áreas vão acompanhar e ministrar as aulas das oficinas.

Alunos do curso de nutrição e gastronomia vão ministrar as oficinas do GastroJus. Foto: Mayara Donaria

Com esse conjunto, a iniciativa intensifica o corpo discente do campus, aumentando o acesso e transformando a universidade em um espaço ainda mais público. A professora adjunta do curso de gastronomia da UFRJ e coordenadora do GastroJus, Mara Cnop, fala sobre a importância desse intercâmbio de saberes entre a universidade e a população fora dos campus.  

“Como ação de extensão, o projeto visa mobilizar alunos e integrá-los com atividades que conversem com a sociedade civil. É um movimento de troca de experiências e vivências entre a universidade e a população. Está sendo uma alegria e emoção pensar que nosso curso possibilita trazer mais pessoas para a universidade e quebrar essa barreira de que esse espaço não é para todos, ele é sim. A universidade deve isso à sociedade, inclusive”, enalteceu a professora.

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