Brincando de resgatar a história em Vila Kennedy

Texto por
Luize Sampaio
Data
20 de outubro de 2021

Na Zona Oeste do Rio, um grupo de jovens educadores busca plantar sementes de autoestima, pertencimento e aceitação nas crianças da Vila Kennedy. Com o projeto “Somos Raízes”, o grupo tem realizado atividades educacionais e culturais que misturam brincadeiras com oficinas de história para contar mais sobre a diversidade da cultura afro-brasileira e indígena. 

Com cerca de 50 crianças participando dessa etapa do projeto, saiba mais sobre o SAAF em 3 pontos: 

1- Atuação como “Somos Raízes”

Contação de histórias sobre  a cultura negra e indígena, pintura, confecção de pulseiras, oficina de tambores reciclados e dança, o SAAF semanalmente busca apresentar de maneira lúdica um ensino sobre identidades raciais para as crianças da comunidade. O principal ponto das metodologias adotadas são as vivências dos próprios educadores e dos alunos do projeto que são em sua maioria negros, indígenas e não-brancos, moradores de favelas. Além das oficinas, neste último sábado (16/10) o grupo realizou uma série de atividades e brincadeiras com as crianças na Vila Olímpica local. 

Atividades na Vila Olímpica do Projeto Somos Raízes na Vila Kennedy, apoiado pelo Fundo Casa Fluminense. Fotos: Paulo Oliveira/Casa 4

2-  Conversa com território

As margens da Avenida Brasil, o acesso a educação de qualidade é uma das principais demandas de Vila Kennedy. A moradora e coordenadora do SAAF, Ana Carolina Paula, conta que mais de  80% das crianças atendidas pelo projeto são negras. A pauta do racismo por mais que fosse vivenciada era pouco discutida, por isso um dos focos do projeto é incentivar uma conversa sobre o tema e apresentar as potencialidades da cultura negra. 

“O racismo era explícito no cotidiano deles, por isso resolvemos começar a tentar falar diretamente sobre o tema. Fizemos distribuição de livros escritos e protagonizados por pessoas negras, oficinas de contação de história e outras atividades. Essa é a forma que encontramos para provocar uma emancipação da identidade negra desses alunos. Além disso, buscamos também trazer metodologias de valorização da nossa própria comunidade. Criamos para isso um jogo da memória da Vila Kennedy com os principais pontos turísticos e históricos. Isso tudo teve impacto também nos pais dos nossos alunos que passaram também a refletir mais sobre a questão de raça e território;’ explicou Carolina. 

3- Efeito SAAF

Criado em 2013, o SAAF começou a atuar com atividades educacionais e culturais em 2018, com foco sempre nas crianças e suas famílias.  O projeto atua como um reforço na educação desses alunos que sofreram durante a pandemia com a falta de assistência do governo, falta de repasses da merenda, falta de material e internet. Sem as aulas e com a escola longe da rotina, o trabalho do SAAF se tornou ainda mais fundamental. De maneira inovadora, a proposta pedagógica consegue criar um diálogo com as crianças permitindo que elas criem uma nova perspectiva sobre as suas vivências. Um exemplo disso é o estímulo final de todas as oficinas, a cada atividade os alunos são estimulados a eles mesmos escreverem e contarem suas próprias histórias através da escrita ou de desenhos.          

Oficina sobre os aldeamentos indígenas que fizeram parte da formação do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação SAAF

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