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Pretas Ruas: lutando por bem-viver para a população em situação de rua

Nos territórios periféricos do Centro e da Zona Norte do Rio de Janeiro, a organização Pretas Ruas atua na defesa da dignidade, do cuidado e dos direitos de mulheres negras e pessoas em situação de rua. Fundada em novembro de 2019 por mulheres negras, a iniciativa nasce do desejo coletivo de enfrentar a invisibilização histórica dessas populações nas políticas públicas e construir caminhos de emancipação social a partir da escuta, da presença e da articulação política.

Fundado em 2019, a Pretas Ruas estrutura sua atuação nos eixos de: educação e cultura, com oficinas, vivências e formações políticas; saúde e bem-viver, com ações de cuidado, saúde mental, dignidade menstrual e redução de danos; e advocacy e mobilização social, com incidência em conselhos, comitês e redes que atuam na defesa dos direitos da população em situação de rua.

Entre os projetos desenvolvidos está o “Dandara em Nós”, que articula cultura, memória e cuidado como estratégias de resistência, com a realização de oficinas culturais, rodas de escuta e ações de cuidado, compondo uma agenda construída com afeto e protagonismo das próprias mulheres atendidas.

“É um evento que reunimos a população em situação de rua e nossos parceiros para celebrar a vida e lutar por bem-viver.”, afirma Pamela Oliveira, fundadora da Pretas Ruas.

O evento foi realizado no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), na Pequena África, território histórico da cultura negra no Rio de Janeiro. “É um momento histórico para a gente. É o primeiro evento grande que fazemos do Dandara em Nós, onde celebramos identidade e cultura”, compartilha Pamela.

Durante a programação, houve recital de poesia, apresentações culturais, roda de conversa e o “Mural de Sonhos”, espaço onde participantes responderam à pergunta: “O que queremos de bem viver para a população em situação de rua?”

“Essas pessoas vivem sobrevivendo nas ruas, mas o que estamos fazendo para garantir o bem-estar delas?”, questiona Pamela. Para além de construir estratégias políticas na luta pelo direito da população de rua, que é majoritariamente negra, o projeto também afirma a importância da cultura e da celebração da vida. Para isso, o evento contou com uma feijoada, dança africana, poesia, toque de atabaque, valorizando a cultura negra e celebrando suas identidades.

“É sobre celebrar nossas existências e transformar a realidade, lutando por emancipação social”, finaliza Pamela.

A Pretas Ruas também integra redes estratégicas como o Comitê Técnico de Saúde da População em Situação de Rua, o CIAMP RUA Nacional e a Rede Pop Rua RJ, além de dialogar com fóruns e articulações voltadas à redução de danos, à justiça racial e ao enfrentamento à violência contra mulheres negras. Essa atuação fortalece a incidência política e amplia a capacidade de disputar políticas públicas mais justas e estruturantes.

A organização foi apoiada pelo Edital Agenda Rio 2030 do Fundo Casa Fluminense de 2025 e está alinhada às propostas prioritárias da Agenda, especialmente nos eixos de Moradias Populares, Política do Cuidado e Cidades Seguras. A Pretas Ruas reafirma que justiça começa pelo cuidado, fortalecimento culturas e de bem-viver, construindo caminhos concretos para que mulheres negras e pessoas em situação de rua possam ocupar espaços além das marquises, com dignidade, direitos e bem-viver.

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