Nos dias 21 e 22 de junho, a Casa Fluminense realizou mais uma edição do Fórum Rio, festival itinerante que une cultura, arte e política, ocupando a cada ano um território da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Em 2026, o Fórum Rio: NOSSO QUINTAL aconteceu na Penha, reunindo lideranças, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, pesquisadores, artistas e moradores da Baixada ao Leste Fluminense, para fortalecer o diálogo sobre o futuro das favelas e periferias.
Nesta edição, com o tema “Nosso quintal”, a organização buscou valorizar os saberes, estratégias, arte e cultura que brotam dos quintais, dos becos e vielas das favelas e periferias, especialmente de territórios da Zona Leopoldina. Ao longo de dois dias de programação, o Fórum promoveu debates, oficinas, atividades culturais, apresentações artísticas e circuito pelo território, criando espaços de encontro e valorização do território da Penha, um espaço onde memória, cultura e luta pelo direito à vida caminham juntas.
Taty Maria, cria da Zona Leopoldina e coordenadora de operações da Casa Fluminense, responsável pela produção do festival, compartilhou sobre a importância do Fórum ter acontecido na Penha este ano.
“Ver o Fórum Rio chegar à Penha depois de 19 edições foi muito significativo para mim, por ser onde vivi por 35 anos, acompanhar esse encontro foi a realização de um sonho. Além disso, ter sido realizado na Arena Dicró foi muito importante, porque esse é um equipamento público de cultura que cumpre um papel fundamental de reconectar o território ao Parque Ary Barroso”, compartilha a coordenadora.
Entre os destaques da programação esteve o lançamento de oito novas Agendas Locais 2030: Agenda Itaboraí 2030, Agenda Complexo do Salgueiro 2030, Agenda Penha 2030, Agenda Paracambi 2030, Agenda Campo Grande 2030, Agenda Complexo do Alemão 2030, Agenda Nova Iguaçu 2030 e a cartilha Mobilidade e Qualidade do Ar de Madureira. Construídas por lideranças da Baixada Fluminense, do Leste Fluminense e da capital, que apresentaram através das publicações, propostas de políticas públicas para seus territórios.


A edição também marcou o lançamento do Edital Agenda Rio 2030: Edição Especial Complexos da Penha e do Alemão, iniciativa voltada ao fortalecimento institucional de organizações, coletivos e lideranças que atuam nesses territórios, reafirmando o compromisso da Casa com a filantropia territorial e com a democratização do acesso a recursos para iniciativas que promovem direitos, fortalecem a participação social e constroem soluções locais.
A programação incluiu ainda o circuito realizado no Parque Ary Barroso, conduzido por organizações e lideranças locais que compartilharam a história do parque e sua importância para a Penha e toda a Zona da Leopoldina, reforçando a compreensão de que proteger os territórios também passa por conhecer suas histórias, memórias e processos de organização comunitária.



“Receber um festival que une arte, cultura e debate sobre políticas públicas nesse espaço tem um simbolismo enorme e reforça a intenção desta edição do Fórum Rio de valorizar a história e a identidade cultural da Penha”, conclui Taty Maria.
Para fortalecer o diálogo em torno de pautas importantes para a Penha e diversos outros territórios de favelas e periferias da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o Fórum contou com dois painéis de debates, com participação de lideranças, especialistas e moradores do território.
O painel “Estado complexo: quem protege as favelas e periferias?” aconteceu no primeiro dia de festival, pensando na realidade de quem vive em territórios atravessados pela insegurança pública e olhando para as práticas que surgem todos os dias como respostas à violência. Levantando reflexões sobre redes de cuidado, estratégias comunitárias e as formas de proteção das vidas, memórias e culturas. Participaram do debate Luize Sampaio, da Casa Fluminense; Evelin Dias, da Frente Penha; Dudu de Morro Agudo, do Instituto Enraizados; Gisele Fiorentino, do Fórum Popular de Segurança Pública; Tauã Brito, moradora da Penha; além de contar com a participação do público presente no Fórum e com a mediação de Raull Santiago.


No segundo dia de festival, o painel “Quintal de esperança: reunir a garotada e proteger o amanhã” fechou os momentos de debate da programação, discutindo as estratégias para futuros de bem-viver e cuidado das crianças e jovens desses territórios. Momento importante de fortalecer o papel da educação e da cultura na garantia de um futuro mais digno para os mais novos, que teve mediação da Paola Lima da Casa Fluminense, participação de Ana Santos, do Centro de Integração na Serra da Misericórdia; Tatiellen Costa, do Pré-vestibular Comunitário Solano Trindade; Gabriel Marcolino, do Movimento Libra nas Ruas; Sareh Benjamin de Almeida, mestre em educação e professor da rede municipal.

“A escola é esse espaço onde a gente aprende a ser gente. Quando penso nas possibilidades do amanhã e do futuro, percebo que elas começam no presente, no agora, no exato momento em que estou na sala de aula com as crianças. E não tem como pensar o amanhã sem a educação. Apesar de todos os desafios que enfrentamos diariamente, é nesses espaços que seguimos encontrando espaços para nos reunir, refletir, elaborar coletivamente e, sobretudo, aprender a sonhar”, compartilhou Benjamin de Almeida durante sua participação no debate.
A arte e a cultura também ocuparam um lugar importante durante o Fórum Rio 2026. Shows do Passinho Carioca e do Samba das Rosalinas, apresentações do Centro Cultural Capoeira Arco da Aliança, da Folia de Reis A Brilhante Estrela de Belém, DJ Suave Preta e DJ Vanessa Goulart, exposição “Rua” com curadoria de Bruna Gomes, e atividades para diferentes públicos transformaram a Arena Cultural Dicró em um quintal de celebração e fortalecimento dos vínculos entre pessoas e organizações que atuam na defesa do direito à cidade.






Há mais de uma década, a Casa Fluminense constrói espaços de encontro entre sociedade civil, movimentos populares e poder público para fortalecer a incidência política e ampliar a participação social na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O Fórum Rio reafirma o compromisso de que o futuro das cidades deve ser construído coletivamente, a partir dos territórios e das pessoas que diariamente transformam seus quintais em espaços de resistência, cuidado e esperança.
O Fórum Rio 2026: NOSSO QUINTAL terminou, mas os encontros, as articulações e os compromissos construídos durante esses dois dias seguem fortalecendo uma rede que acredita que a transformação da metrópole começa nos territórios.