A cada ano eleitoral, a Casa Fluminense promove ações a fim de abrir um diálogo entre a sociedade civil e representantes políticos. A organização acredita que são dos territórios e das comunidades que surgem as soluções para combater as desigualdades, por isso, o primeiro passo das candidaturas deve ser ouvi-las, mantendo de pé o compromisso de trabalhar para a população.
Neste ano, a instituição promoveu o Casa nas Eleições, organizando diversas ações que ampliaram a atuação de lideranças no debate eleitoral. Entre elas, o “Agendas para o Rio”, um encontro que contou com a presença das lideranças associadas às Agendas Locais e reverteu a lógica das sabatinas, colocando a sociedade civil com o microfone na mão e as candidaturas para ouvir as demandas.
Com a polaridade política presente nas disputas eleitorais deste ano, a votação passa a ser por quem vai ocupar cadeiras importantes para os próximos 4 e 8 anos, mas também a qual lado do caminho a população seguirá andando. No Rio de Janeiro, a disputa pelo governo do estado, representação no Senado e na Câmara dos Deputados, vai ditar o ritmo do combate às desigualdades nos próximos anos.



Foi considerando esse cenário que a Casa promoveu o encontro, que aconteceu no dia 10 de setembro, na capital do Rio, em parceria com o Instituto Marielle Franco e a Ação da Cidadania. A ideia era não só promover o debate entre a sociedade civil e candidaturas, como também facilitar a população em um cenário complexo de escolha de representação política.
O encontro, que estava aberto para inscrições de participação da sociedade civil e de candidaturas interessadas no diálogo, contou com a presença de Renata Souza (PSol), Talíria Petrone (Psol), Mallu Cortês (PT), Indianarae Siqueira (PT), Guilherme Pimentel (Psol), Ruan Valle (PSD) e Tereza Arapium (REDE). Em uma atividade de roda de escuta, as candidaturas presentes puderam ouvir a sociedade civil sobre as reais demandas dos territórios e comunidades do Rio de Janeiro.

“A Casa Fluminense está há 13 anos pensando a metrópole, suas desigualdades, como podemos produzir incidência, fortalecer as ações dos territórios para construir uma metrópole mais justa para todos nós, e é muito importante participar de espaços de escuta e construção coletiva nesse período eleitoral, e entender o que a sociedade civil quer para seu futuro, garantindo uma construção democrática na eleição”, compartilhou Iris Rosa, coordenadora de Informação da Casa Fluminense.
A programação do evento contou com uma mesa de abertura com a participação de Lívia Reis, do Iser; Mariana Galdino, do Instituto Decodifica; Iris Rosa, da Casa Fluminense, e mediação de Luize Sampaio, também da Casa. O debate focou em discutir o cenário da desigualdade no panorama nacional, por meio da apresentação da Lívia, Metropolitano a partir da Íris e local com Mariana, considerando o contexto eleitoral.
Além da mesa, aconteceu o pré-lançamento do Mapa da Desigualdade 2026 da Casa Fluminense, publicação que traz um extrato da realidade de desigualdade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A equipe de Informação da Casa apresentou a metodologia e dados de destaque presentes no Mapa, destacando a importância da publicação também para o período eleitoral.
“O Mapa tem o objetivo de mostrar de forma mais gráfica e ilustrativa como se dão as desigualdades presentes na metrópole do Rio. O desejo é que ele ganhe as ruas, para a população conseguir ter dados que embasem suas demandas, suas disputas, e isso se traduza na melhora da vida da população”, explica Rosa.
Debate no Rio inteiro
De Itaboraí a Belford Roxo, a Casa participou de outros encontros que também tiveram a motivação de dar protagonismo para a sociedade civil no cenário eleitoral.
O primeiro encontro desta trilha aconteceu em parceria com o Observatório de Itaboraí em agosto (28). O encontro reuniu lideranças de territórios do Leste da Região Metropolitana para pensar o atual cenário político. Foram trocadas práticas de apoio, cuidado e proteção, além de projeções sobre as próximas estratégias coletivas de incidência política.



A Casa também participou do encontro na Baixada Fluminense, organizado pelo Sim! Eu Sou do Meio e o Baixada que se Importa! em Belford Roxo. O Geral no Meio reuniu lideranças e população da Baixada Fluminense, frente a candidaturas. Também em uma dinâmica que colocou a sociedade civil em destaque no debate.
Durante o debate, lideranças do território falaram para as candidaturas sobre as principais demandas dos seus territórios. Cassius Clay, integrante da Agenda Belford Roxo 2030 e ex-aluno do Curso de Políticas Públicas da Casa Fluminense, expôs sobre a importância da atualização do Plano Diretor da Cidade.
“A prioridade para mim é a atualização do Plano Diretor de Belford Roxo, que deve contemplar as demandas dos bairros e orientar as principais obras estruturantes da cidade. Asfalto e limpeza de rio não são obras estruturantes. Estruturante é obra para acabar com a enchente, por exemplo. O plano diretor da cidade de Belford Roxo está desatualizado há mais de 20 anos, não temos objetivos para transformar a cidade, e é justamente por isso que a gente não avança”, expôs Cassius.
Neste encontro, a Casa Fluminense também apresentou dados do Mapa da Desigualdade 2026, desta vez destacando indicadores que ajudaram a contextualizar as desigualdades que atravessam a vida da população da Baixada, como a que foi colocada por Cassius sobre Belford Roxo.
Além dos encontros, o Casa nas Eleições também tem promovido aulões nos pré-vestibulares apoiados pela organização através do Programa Juventude Popular nas Universidades, debatendo sobre o contexto eleitoral com os jovens alunos dos prés.
Todas as ações buscam reafirmar a atuação da Casa Fluminense em direção ao fortalecimento da atuação de lideranças, seus territórios e comunidades. Em um ano de escolhas importantes para os rumos do Rio de Janeiro e do Brasil, ampliar os espaços de escuta e participação da sociedade civil é também disputar quais caminhos seguir nos próximos anos.
A democracia se fortalece quando quem vive os desafios dos territórios e comunidades também participa da construção das soluções e das decisões sobre o seu futuro.