Texto por

Data

Xica Lab articula arte insurgente e formação política em Niterói

O Xica Lab, laboratório de artes visuais LGBTQIA+, é um dos projetos apoiados pelo Edital Agenda Rio 2030 do Fundo Casa Fluminense de 2025. Com ações realizadas principalmente em Niterói, no Leste da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o coletivo atua desde 2022 na partilha de saberes e expressões artísticas, explorando linguagens como gravura, serigrafia, pintura, performance e outras formas de criação visual que afirmam a arte como ferramenta de resistência política.

O Laboratório, formado por pessoas LGBTQIA+, atua desde 2022 em Niterói, realizando um trabalho de rede entre artistas. Entre as atividades já realizadas pelo Lab estão o “Mural de Memórias Travesti”, uma intervenção urbana no Centro de Cidadania LGBT Leste; o documentário “Travando Lutas” que aborda a questão da saúde e direito à cidade da população trans; a exposição “Hipótese”, sendo a primeira na Região Oceânica da cidade; e o ciclo de residência “Xica Lab”.

O laboratório desenvolve um trabalho em rede entre artistas, criando espaços de formação, produção e circulação de narrativas dissidentes. Entre as ações já realizadas pelo grupo estão o “Mural de Memórias Travesti”, intervenção urbana no Centro de Cidadania LGBT Leste; projetos audiovisuais, como o documentário “Travando Lutas”, que aborda o direito à cidade e o acesso à saúde da população trans; a exposição de artes, como a “Hipótese”, realizada na Região Oceânica de Niterói; além do ciclo de residência artística “Xica Lab”.

Além de dialogar com a comunidade LGBTQIA+, o projeto busca ampliar o acesso às artes visuais para pessoas de favelas e periferias. Um exemplo dessa atuação é a residência “Xica Lab”, realizada no Morro do Palácio, território histórico e cultural de Niterói, fortalecendo a relação entre arte, território e comunidade.

Para Beni Campos, que atua na direção criativa do Xica Lab, as propostas do laboratório partem do reconhecimento da arte como um campo de disputa de narrativa. “Nós fazemos diversas experimentações com artes visuais, sempre valorizando a comunidade LGBTQIA+ e nos colocando como protagonistas de projetos que vão dialogar com a sociedade e nos colocar como pauta”, compartilha.

Com o apoio da Casa Fluminense, por meio do Edital Agenda Rio 2030, o laboratório realizou o “Ateliê Insurgente Xica Manicongo”, um projeto formativo que promoveu seis ciclos de encontros voltados ao debate de questões sociais que atravessam comunidades e grupos historicamente vulnerabilizados. As discussões foram conectadas à produção de artes visuais insurgentes, abordando temas como justiça climática, violência, saúde mental, bem-viver e outros atravessamentos vividos por corpos dissidentes.

O Ateliê selecionou 20 pessoas que tinham interesse em integrar um espaço de criação de arte e política de forma coletiva. Como explica Beni, “o Ateliê Insurgente selecionou pessoas de Niterói para estarem participando com a gente. Pessoas que não necessariamente são artistas, mas que têm interesse em compor um organismo vivo de pensamento crítico e arte insurgente”.

A formação foi realizada no Morro do Palácio, ocupando o Centro Cultural de Cidadania e Economia Criativa, Macquinho. Durante os encontros, as manhãs foram dedicadas a seminários formativos e, à tarde, os debates se desdobravam em práticas artísticas coletivas. “Hoje, por exemplo, a galera está aqui atrás fazendo serigrafia”, relata Beni, ao descrever o ambiente de criação compartilhada realizado durante a visita da Casa Fluminense ao ateliê.

O projeto que selecionou 20 pessoas para participar de um ciclo de formação de 6 encontros, buscou criar um espaço de criação de novas epistemologias visuais. Aberto a pessoas de toda a Região Metropolitana, especialmente aos moradores de territórios periféricos e favelados, o Ateliê realizou suas atividades no Morro do Palácio, em Niterói, ocupando o Macquinho.

A culminância do projeto se deu a partir da publicação de um Catálogo de Processos do Ateliê Insurgente, compartilhando sobre os processos de discussão e criação realizados em cada dos encontros do ciclo formativo, que o Xica Lab nomeou como escola transitória e popular de cultura LGBTQIA+. “É um registro do processo de como foi essa loucura de ocupar o Marquinho, aqui no Morro do Palácio, por seis semanas com diversos artistas diferentes, diversas pessoas que estão somando nessa trajetória da Xica Lab através do Ateliê Insurgência, uma formação de arte política popular”, descreve Beni.

Alinhados com a proposta prioritária de Sistemas de Cultura e Memória da Agenda Rio 2030, a experiência do Ateliê e a atuação do Xica Lab reafirmam a arte como um campo de disputa simbólica e política. Frente ao apagamento de corpos, histórias e saberes, a resposta vem das discussões e produções artísticas que disputam a narrativa sobre corpos marginalizados e territórios periféricos.

Compartilhe

Conteúdo Sugerido

Nós armazenamos dados temporariamente para melhorar a sua experiência de navegação e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com nossa Política de Privacidade.

Feito com WP360 by StrazzaPROJECT