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Movimento Libras nas Ruas promove direito à cidade e visibilidade para a cultura surda 

Transformar a ocupação da cidade em um ato de resistência, orgulho identitário, autoestima e autonomia econômica para pessoas surdas é a missão assumida pelo Movimento Libra nas Ruas. Mais do que garantir acessibilidade, o Movimento nasceu da necessidade de ocupar os espaços públicos com a Língua Brasileira de Sinais (Libras), reivindicando que todos tenham direito de circular nas ruas, tendo respeito e visibilidade.

O grupo, que circula com atividades itinerantes pelo Rio de Janeiro, atua majoritariamente na zona norte e centro da cidade, e se orgulha de ocupar o espaço urbano com ações culturais que constroem ambientes de convivência e circulação de saberes entre pessoas surdas e ouvintes sinalizantes. Feiras culturais, corridas e caminhadas, piqueniques, são algumas das iniciativas desenvolvidas por eles, que criam ambientes de pertencimento e visibilidade para a cultura surda.

Para Gabriel Marcolino, diretor do Movimento Libras na Ruas, o projeto é um espaço de visibilidade e valorização das pautas surdas. “Nós temos nossas vivências, nossa arte, políticas e lutas”, compartilha o diretor.

O Movimento faz parte dos projetos apoiados pelo Edital Agenda Rio 2030: tecnologias de bem-viver e direito à cidade, do Fundo Casa Fluminense de 2025. Entre as iniciativas desenvolvidas por eles, o Libras Run, espaços que reúne treinos e provas de corridas e caminhada em Libras, e a Feira Cultural Libras nas Ruas, uma feira de empreendedores sinalizantes com curadoria voltada para produtores temáticos de Cultura Surda, potencializa a relação entre pessoas surdas e ouvintes sinalizantes, e garante para essas pessoas o direito à cidade.

Em setembro deste ano, eles realizaram em Madureira, zona norte do Rio, uma edição especial do Libras Run, que terminou com a feira cultural. O evento foi um verdadeiro encontro de trocas, encontros e fortalecimento comunitário. Uma demonstração viva de que a comunidade surda pode estar inserida de forma integral e acessível nos espaços públicos, se relacionando, praticando esportes com autonomia, circulando pelas ruas e movimentando a economia.

Durante o evento, Marcolino celebrou o encontro: “Hoje eu me sinto realizado em ver o espaço cheio de pessoas surdas e ouvintes sinalizantes, interagindo e compartilhando saberes. Essa visibilidade é muito importante”, disse o diretor.

A missão do LIbras nas Ruas é garantir o direito à cidade para a comunidade surda, promovendo seus saberes e cultura. Alinhados com a proposta de políticas públicas de “Cidades Seguras”, presente na Agenda Rio 2030, que propõe a proteção nas áreas públicas, com foco em uma segurança voltada à garantia da vida, ampliação da circulação e convivência cidadã, garantindo o direito à cidade para todas as pessoas, assim como o Movimento busca promover com suas ações.

As iniciativas promovidas pelo Movimento Libras nas Ruas, junto de seus apoiadores, impactam diretamente a vida das pessoas alcançadas pelo projeto. No entanto, a comunidade surda e outros grupos de pessoas com deficiência ainda enfrentam grandes desigualdades, desde a falta de acessibilidade até o reconhecimento de suas existências, como inserir a Libras como parte legítima da cidade. Esses atravessamentos ainda afastam pessoas com deficiência de espaços de decisão, de debate público e até mesmo das ruas.

Por isso, apoiar e fortalecer iniciativas como o Libras nas Ruas é também reconhecer a Cultura Surda como expressão legítima da diversidade cultural da cidade, garantindo não só acessibilidade, mas também pertencimento. Para construir cidades seguras e democráticas, é preciso garantir que sejam para todas as pessoas.

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