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Justiça climática na Leopoldina: conheça o trabalho do LUTA por bem-viver

Apoiados pelo Edital Agenda Rio 2030: tecnologias de bem-viver e direito à cidade do Fundo Casa Fluminense (2025), o coletivo Leopoldina Unida por Transformação Ambiental (LUTA) vem plantando, no território da Leopoldina, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, a esperança de um futuro com mais justiça climática para os bairros e favelas da região.

Em um contexto de racismo ambiental, no qual mais de um milhão de lares estão localizados em ilhas de calor na cidade do Rio de Janeiro, segundo dados do Cobradô, as populações de favelas e periferias, que já enfrentam cotidianamente a ausência de políticas públicas efetivas, são as mais impactadas pela emergência climática. É nessa realidade que desenvolver estratégias próprias de sobrevivência frente às mudanças climáticas passa a ser uma necessidade do território.

“A gente surgiu da necessidade de olharmos para o território da Leopoldina como um todo, uma região muito marcada por uma história de abandono e negligência do poder público, especialmente pela ausência de políticas voltadas para a questão ambiental”, conta Laura Suprani, comunicadora e uma das integrantes do LUTA.

Laura, assim como a maioria dos integrantes do coletivo, é moradora da região, especificamente da Penha Circular, um dos bairros que compõem a Zona Leopoldina, região que abrange também territórios como Olaria, Penha, Brás de Pina, Ramos, Cordovil, Parada de Lucas e Vigário Geral, entre outros bairros e favelas.

A partir da necessidade de pautar a justiça climática no território, o coletivo desenvolveu o projeto “Tecnologias do Bem Viver na Luta por Justiça Climática”, com apoio da Casa Fluminense, por meio do edital. A iniciativa teve como objetivo promover oficinas práticas e caminhadas pelo território, fortalecendo o debate sobre justiça climática e a relação da população com o meio ambiente.

A ausência histórica do poder público nos territórios favelados e periféricos está estampada na inexistência de políticas ambientais integradas, capazes de enfrentar os impactos do calor extremo, das enchentes e da degradação ambiental. Essa negligência reforça desigualdades e expõe a população negra e periférica aos efeitos mais severos da crise climática.

É nesse cenário que ganha ainda mais força a prioridade da criação de uma Secretaria Municipal de Clima, defendida pela Agenda Rio 2030, onde a Casa Fluminense aponta para a necessidade da existência de um órgão que lidere os processos de adaptação e mitigação às mudanças climáticas, com enfrentamento direto ao racismo ambiental e integração com áreas fundamentais como transporte, saneamento, habitação, saúde e infraestrutura urbana.

Enquanto essas políticas não se concretizam, lideranças e coletivos territoriais, como o LUTA, assumem um papel fundamental na construção de soluções locais. A organização comunitária, o compartilhamento de saberes e a implementação de tecnologias sociais e ancestrais são estratégias centrais para garantir o bem-viver e a permanência digna da população em seus territórios.

Laura compartilhou sobre o desenvolvimento do projeto: “Fizemos uma série de caminhadas passando por pontos-chave dos territórios, resgatando a história local, realizando a formação de 10 agentes ambientais e construindo soluções como jardins verticais, composteiras, sementeiras e canteiros. A ideia foi mostrar que esses territórios têm demanda por esse tipo de tecnologia e que as pessoas querem ver essas soluções nos seus bairros”.

A finalização do projeto aconteceu na Arena Dicró, na Penha, em um encontro que reuniu moradores, lideranças e participantes das atividades, reforçando o vínculo entre cultura, território e justiça climática. O momento marcou não apenas o encerramento de um ciclo, mas também a celebração dos aprendizados e das transformações construídas coletivamente ao longo do processo.

“A ideia desse último momento foi trazer uma dimensão conceitual e prática dos benefícios ambientais para a comunidade. Construímos um canteiro a partir do conceito: a Penha respira, a Penha resiste e a Penha quer paz. Revitalizamos o canteiro, melhoramos o solo e plantamos espécies como Lírio-da-Paz e Espada-de-São-Jorge, que ajudam a purificar o ar e também carregam um significado simbólico muito forte”, compartilhou João Pedro Lima, paisagista, integrante do LUTA e cria da Vila Cruzeiro, na Penha.

Fundado em 2025, o coletivo LUTA pretende dar continuidade às suas ações, ampliando iniciativas que valorizem a justiça climática no território e promovam mais bem-viver para a população dos bairros e favelas da Zona Leopoldina. “É isso que a gente está fazendo aqui hoje e que quer continuar fazendo daqui para frente”, afirma Laura.

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