Em Nilópolis, na Baixada Fluminense, o Pré-Vestibular Comunitário Conceição é um dos únicos cursos gratuitos a atuar em todo o município. A partir da organização coletiva e o fortalecimento em rede, o projeto tem transformado a vida de jovens que vivem em um território marcado pela desigualdade e pela ausência de políticas públicas educacionais de incentivo à entrada de jovens na universidade.
Fundado em 2017 por educadores e lideranças sociais do território, o projeto é coordenado por Beatriz Silva, mestranda em Administração pela UFF, e ex-aluna do Curso de Políticas Públicas da Casa Fluminense (2025). Ao longo dos anos de atuação, PVC Conceição se consolidou como um espaço de formação crítica, cidadã e política de jovens negros e periféricos do município, se intitulando como um projeto que prepara a Baixada Fluminense para o ensino superior.

Realizado na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Centro de Nilópolis, o curso resiste em se manter ativo no território a partir de apoios como o Edital Agenda Rio 2030 do Fundo Casa Fluminense de 2025. “Nós estamos no território de Nilópolis e somos sobreviventes, porque aqui no território, somos o único pré totalmente comunitário desse lado da linha do trem”, destaca a coordenadora.
Esse é um cenário comum em municípios da Baixada Fluminense, onde a escassez de políticas públicas voltadas à educação e permanência estudantil amplia as barreiras para a juventude periférica acessar a universidade. Nesse contexto, projetos como o PVC Conceição não apenas preenchem lacunas deixadas pelo poder público, como constroem alternativas baseadas na construção de redes.
Com uma metodologia que combina aulas regulares, atividades complementares e formação política, o pré também promove debates sobre justiça racial, de gênero, econômica e climática. Além disso, articula parcerias com instituições de ensino e iniciativas que ampliam o apoio ao pré e potencializam o repertório educacional dos estudantes.
Ainda assim, sustentar uma iniciativa exige muita luta e busca por investimento na educação. “Com o apoio do edital, nós conseguimos comprar mesas, notebook, impressora, conseguimos apoiar os alunos em documentações, ajudar os professores e a coordenação com auxílio. Hoje, as atividades que eram dadas totalmente online, a gente consegue dar de forma presencial”, conta Beatriz.
O impacto da construção de rede em torno da educação popular possibilita a continuidade das atividades, fortalece a permanência dos estudantes e principalmente, amplia a entrada de jovens negros e periféricos no ensino superior. Projetos como o PVC, mostram na prática que investir em educação popular é também um investimento em justiça social.
Alinhados com a prioridade de Pré-vestibular Gratuito da Agenda Rio 2030, os integrantes acreditam que os pré-vestibulares são uma ferramenta histórica de mitigação da falta de acesso de pessoas negras e periféricas nas universidades, e se colocam como uma ação fundamental para o enfrentamento das desigualdades.

Para Beatriz, fortalecer iniciativas como essa passa necessariamente pela construção de redes entre projetos que compartilham os mesmos desafios e podem, a partir disso, se fortalecer. “Gostaríamos muito de convidá-los a conhecer o PVP Conceição, além de outros prés aqui da Baixada Fluminense, para nos tornarmos uma rede”, convida.
O PVC Conceição mostra que, mesmo diante de desafios educacionais colocados pelas desigualdades, é possível construir caminhos com educação e trabalho coletivo. E reforça que, para que essas iniciativas sigam existindo e se fortalecendo, é essencial apoio, reconhecimento e construção de rede