Vandalismo e descaso no teleférico da Providência

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Texto por
Saulo Pereira Guimarães
Data
31 de julho de 2017

Do alto do Morro da Providência, é possível ver o Complexo do Alemão, a ponte Rio-Niterói e grande parte da zona portuária. Porém, ficou mais difícil ter acesso à vista, já que o funcionamento do teleférico da comunidade foi suspenso pela prefeitura há mais de 200 dias. Abandonado, o bondinho teve uma de suas estações arrombada. A Associação de Moradores culpa os policiais. Já os policiais afirmam que não têm envolvimento no caso.

De acordo com a presidente da associação de moradores Gisele Soares, os problemas começaram depois do assalto na rua Senador Pompeu, em 22 de maio. No dia seguinte ao roubo, a polícia fez uma operação na Providência e em seguida a estação Américo Brum do teleférico apareceu arrombada. A partir daí, PMs teriam passado a ocupar o local, segundo Gisele. “Entreguei em 17 de julho ao major Claudio Cares (responsável pela UPP da comunidade) um ofício com fotos mostrando policiais lá dentro, mas nada foi feito”, diz ela. Procurada, a Polícia Militar nega que seus agentes tenham ocupado a estação. “Sobre o arrombamento, não podemos afirmar quem o praticou. Tal ação é crime, independentemente se partiu de um traficante de drogas ou de qualquer outro morador”, afirmaram por e-mail representantes da corporação.

Responsável pelo teleférico, a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp) informou que a operação do equipamento foi interrompida no último dia 17 de dezembro para serviços de manutenção. Entretanto, a concessão do serviço à empresa Porto Novo venceu 14 dias depois, sem que um novo titular tivesse sido escolhido para assumir o equipamento. Desde então, a Cdurp prepara os termos de uma nova licitação, que ainda não foram concluídos. Criado em 2014, o teleférico tem três estações, transporta até mil pessoas por hora e custou R$ 75 milhões à prefeitura.

FOTO: Mídia Ninja

MORADORES RECLAMAM

“O teleférico era um transporte rápido e que ligava a gente à cidade”, afirma Juracy Vilela, moradora da Providência. Desde 2015, ela administra um bar que funciona na estação Mirante, no alto do morro. Nos primeiros tempos, funcionários da Cidade do Samba e do Hospital da Gamboa pegavam o bondinho para almoçar no local. “Cheguei a comprar 40 caixas de cerveja por semana. Hoje, compro sete e espero acabar”, conta a cozinheira. Por sorte, o entregador de bebidas ainda sobe o morro, coisa que o representante da empresa de cigarros já não faz.

“Com o teleférico, eu demorava 5 minutos para levar meu filho até escola. Hoje, levo meia hora”, reclama Rosana de Lima. “Quando funcionava, era uma facilidade nos dias de chuva, para as pessoas de idade”, comenta José Gomes. Para ele, o ideal é que alguma empresa assuma o equipamento. “Abandonado assim, ele até desvaloriza o lugar”, diz. Outros moradores concordam com a ideia. “Tinha que voltar a funcionar, com gratuidade para os idosos e tarifa mais barata para quem é daqui”, defende Gilberto Franco. “A gente não liga que cobre, desde que o serviço seja mantido”, resume Juracy.

O teleférico da Providência não é o único parado na cidade. A 13 quilômetros dali, o bondinho do Complexo do Alemão também está sem funcionar desde setembro do ano passado. De acordo com a consórcio Rio Teleféricos, que administra o equipamento, um dos cabos do veículo teve desgaste acima do normal e precisou ser substituído. “A peça é fabricada sob medida no exterior, já foi adquirida e o teleférico deve voltar a operação no segundo semestre”, afirmou por e-mail a Secretaria Estadual de Transportes. A implantação efetiva de um sistema de transportes na metrópole é uma das propostas da Agenda Rio 2017, conjunto de propostas da Casa Fluminense para a região metropolitana do Rio.

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