[#TRIBUNA RIO POR INTEIRO] Juventudes e oportunidades

Texto por
Comunicação Casa
Data
4 de maio de 2018

 

Por Mariana Xavier*

Para começar a pensar juventudes é necessário entender antes o contexto em que elas estão inseridas para só então pensar em suas oportunidades. As juventudes do Rio de janeiro são tão diversas que não se pode resumir a apenas uma, mas trata-las respeitando suas singularidades e particularidades, compreendendo que as oportunidades são desiguais.

Muito se fala sobre a juventude representar a mudança que se espera para o futuro, mas estamos criando poucas oportunidades para que ela se desenvolva e explore seu potencial. A realidade se mostra de formas diferentes para os jovens de acordo com os territórios que estão inseridos, pois hoje a juventude precisa centrar esforços em como sobreviver diariamente morando em locais dominados pela violência. De acordo com a Anistia Internacional, 30 mil jovens são vítimas de homicídios por ano no Brasil e desses, 77% são negros, o que nos remete a mais uma das subdivisões entre tantas das juventudes. Quanto mais pobre, favelado, periférico e negro, maior a situação de vulnerabilidade social e probabilidade de ser morto.

Os que resistem enfrentam outras grandes dificuldades, quase 200 mil jovens de 15 a 17 não estão cursando o ensino médio na região metropolitana do Rio de Janeiro. A evasão e defasagem escolar é sempre presente nesse cenário por motivos diversos, um deles é a urgência e necessidade em que a juventude, cada dia mais cedo, tem de trabalhar. Por vezes os espaços ocupados não estão no mercado formal de trabalho, o que dificulta mais uma vez o acesso desses jovens pela exigência de experiências ou pela incompatibilidade da escolaridade.

Apesar da realidade não ser favorável os jovens periféricos continuam sonhando em acessar oportunidades e ascender. Acessar espaços que seus familiares e seus semelhantes não tiveram a chance, como por exemplo as universidades e ascender em carreiras que possibilitem estabilidade financeira, mas para as duas coisas os jovens precisam se reinventar e reinventar seus espaços de atuação. Falo também por mim que vivenciei essa realidade.

 

Para alguns as oportunidades de ascensão se dão através do estudo em espaços coletivos e colaborativos, como pré-vestibulares sociais e comunitários que historicamente são ferramentas de luta e militância pela educação, possibilitando que diversas juventudes encontrem alternativas para continuar estudando e consigam acessar as grandes universidades, sobretudo as públicas que por muitos anos nos foram negados o acesso e a permanência de forma velada com o mito da meritocracia.

Nesse contexto nasce, por exemplo, o pré-vestibular social Santa Cruz Universitário, pois acreditamos na educação como agente de transformação social e individual e como ela pode gerar mudanças sociais profundas. A experiência com jovens vestibulandos de Santa Cruz evidencia que a relação juventude-cidade-juventude acontece com jovens que estão produzindo para si e para os seus fora dos mapas já reconhecidos da cidade e que enquanto o Estado não ofertar políticas públicas que sejam capazes de suprir as necessidades da juventude, encontraremos caminhos para que se viva com dignidade e para que essas vidas não percam o sentido, além de cobrar por mais oportunidades e menos desigualdades.

* Mariana Xavier é assistente social e Mestranda em Saúde Coletiva no Instituto de Medicina Social – UERJ. Atualmente coordena o Pré-vestibular Social Santa Cruz Universitário.

 

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