Silvia Ramos: Redução de homicídios no Rio – Opinião

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Texto por
Comunicação Casa
Data
6 de agosto de 2014

Quando olhamos a longo prazo e comparamos a situação da violência no Rio de Janeiro hoje com a de dez ou vinte anos, verificamos que o quadro melhorou muito

Rio – Quando olhamos a longo prazo e comparamos a situação da violência no Rio de Janeiro hoje com a de dez ou vinte anos, verificamos que o quadro melhorou muito, especialmente após a instalação das UPPs em favelas da capital. A redução dos homicídios e principalmente dos autos de resistência é um efeito mais evidente da política de segurança que trocou os tiroteios e a guerra pela presença permanente e o caráter comunitário do policiamento. Antes de qualquer coisa, as UPPs serviram para mudar parte da polícia. E essa foi a principal razão pela qual o Rio de Janeiro deixou de ser o recordista da violência no Brasil e as taxas de homicídio caíram expressivamente.

No entanto, outra parte da força policial continua a recorrer às práticas violentas e até de extermínio adotadas há décadas, como mostram recentes casos denunciados pela imprensa. As UPPs da capital enfrentam impasses e crises, com criminosos armados, tiroteios, mortes de policiais, denúncias de corrupção e principalmente a volta da atitude sistemática de hostilidade da polícia em relação aos moradores, especialmente aos jovens. O respeito entre comunidade e polícia está se deteriorando em várias favelas. Isso deve e pode ser revertido. Depende de comando, treinamento e supervisão.

Outro problema grave é o aumento da violência em regiões da Baixada Fluminense, de São Gonçalo e também de Niterói. Muitos moradores dessas áreas pensam que os problemas nos seus bairros começaram quando as UPPs da capital foram instaladas. Essa noção é incorreta.

Na verdade, a polícia e as políticas de segurança para a região metropolitana estavam abandonadas há décadas. Os batalhões foram sucateados, o contingente não era renovado há anos, os métodos eram e ainda são antiquados e as polícias têm problemas de violência e corrupção. Para se ter uma ideia, ainda existem na Baixada delegacias que não são Delegacias Legais, isto é, não estão informatizadas nem integradas.

Não surpreende que pequenas quadrilhas armadas do Rio se estabeleçam com tanta facilidade. Se não forem tomadas medidas rápidas e prioritárias, em poucos anos teremos na Baixada situação como a das favelas da capital na década passada. Não falo medidas de confrontos nem de guerra aos traficantes. Baixada e São Gonçalo precisam de renovação e modernização do efetivo, políticas de inteligência e investimentos da mesma qualidade que os bairros das áreas abastadas do Rio. É possível controlar a violência no Rio metropolitano.

Silvia Ramos é coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Candido Mendes

Artigo originalmente publicado no Jornal O Dia 

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