A potência da juventude metropolitana

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Texto por
Aline Souza
Data
24 de setembro de 2018

A Casa Fluminense encerrou na última quinta-feira (13/9) a terceira edição do Curso de Políticas Públicas e entrevistou alguns de seus alunos para saber como a participação deles no curso colabora com a atuação em seus territórios. O curso é realizado anualmente para jovens da Região Metropolitana do Rio. Confira abaixo alguns depoimentos:

“Quero revolucionar dentro das instituições religiosas e fora delas” – Samuel Galvão, 21 anos, que é estudante de Direito na Faculdade São José, na Zona Oeste, representa a Frente dos Evangélicos pelo Estado de Direito pelo fato de perceber um falso entendimento do campo progressista sobre a fé e a religião. O movimento surgiu em 2016 logo após o Golpe ao estado democrático, mas as pessoas já estavam mobilizadas em outras lutas defensoras dos direitos humanos. “Acho importante defender esse espaço para mostrar que evangélico não é tudo igual, não somos todos pessoas conservadoras ou retrógradas”.

Samuel afirma que desde sempre se reconhece como progressista e que em seu território, na Zona Oeste do Rio, a atuação dele não se enquadra à linha conservadora. “Essa linha do conservadorismo da Bancada Evangélica não nos representa “, afirma. De acordo com Samuel, o objetivo dele é trazer a Frente dos Evangélicos para cada vez mais movimentos sociais que já existem, inclusive ele lembra que o campo cristão já é bem próximo dos movimentos populares por moradia, como o MTST, por exemplo, em virtude de linhas como a Teologia da Libertação. Porém há outras lutas importantes como a militância feminista por igualdade de gênero, ou a luta da população LGBTQIs por reconhecimento e respeito que ainda não avançou. “Essas e outras temáticas do nosso tempo estão um pouco distantes porque esse debate ainda não foi feito na igreja”, afirma.

Para Samuel, participar do Curso de Políticas Públicas propiciou uma vivência importante, já que ele não está inserido em uma universidade pública, por exemplo, onde importantes discussões da sociedade são travadas. “Em espaços como universidades ou até mesmo a zona sul do Rio ocorre uma maior circulação de informações onde o ativismo pelas causas sociais progressistas aparece com mais facilidade e eu não tive contato com isso, eu cheguei bastante cru aqui e as aulas provocaram uma desconstrução mais ampla em mim”, disse.

 

“O conteúdo certo para fortalecer nossa mobilização” – Juliana Garcia de Lima, é de Duque de Caxias, tem 23 anos, é estudante de Ciências Sociais na UERJ, atua politicamente no campo da juventude, além de pertencer também ao coletivo Voz da Baixada (mídia comunitária) e com o pré vestibular popular + Nois, que possui três turmas em Caxias, duas em Nilópolis e outras espalhadas em regiões da Baixada, Manguinhos, Realengo e no IFCS (centro da cidade). “Antes de entrar para o Voz da Baixada, eu era militante do movimento secundarista, mas é muito difícil manter a rotina de trabalhar e estudar, a gente não consegue se aperfeiçoar o quanto que gostaria, pois é uma correria maior do que para outros jovens”. Juliana lamenta que encontra dificuldade de dedicar tempo para o jornal, mas salienta que há uma página nas redes sociais para informar as atividades.

Ela conta que participar do curso foi importante porque os temas tocam em assuntos que importam e que são pouco debatidos em outros espaços. “A gente pode aprofundar conhecimento em mobilidade urbana, política, segurança pública, etc. O conteúdo do curso dá alicerce para nós, fortalece nosso discurso para disputar direitos e usufruir legalmente deles. São estratégias de como fortalecer aquilo que a gente já faz. Impossível não conectar com nossa atuação”, afirma.

“Não somos sujeitos neutros” – Lilian Barbosa, de Japeri, constrói o coletivo de negros e negras Dona Ivone Lara, que trabalha as questões raciais articulado com outros movimentos sociais de combate ao racismo, atuando pela implementação de algumas políticas de reparação em instituições com ênfase na Universidade. Surgiu como um movimento de mulheres negras que exigia a implementação de ações afirmativas no curso de Serviço Social da UFRJ, que apesar de ser um dos cursos mais populares e super referendados do Brasil, não reproduzia isso em sua pós-graduação. “Nós somos periféricas e também produzimos conhecimento, criamos o coletivo de mulheres de Serviço Social, que é uma verdadeira potência”, como define Lilian. Atualmente a articulação tenta viabilizar uma biblioteca feminista itinerante, com acervo adulto e infantil, que irá ofertar além da troca de livros, oficinas e rodas de conversa para o público em geral e a comunidade universitária.  Atualmente a biblioteca funciona em um espaço da UFRJ, mas a ideia é fazer circular nos diversos territórios da metrópole, fazendo um movimento de rede.

“Também  faço parte de movimentos dos pequenos agricultores para pensar gênero entre as mulheres camponesas e ajudar no combate à violência doméstica. Queremos produzir um material bem didático sobre raça e patriarcado para colaborar com a educação e a autodefesa dessas mulheres”, afirma. Raça, feminismo e exploração de classes, são os temas que Lilian vem atuando e o curso vai ampliar o seu repertório para a atuação que ela já realiza e que é bastante ampla.  “Muitos desses conhecimentos eu não vi na academia, eles passam muito rápido por alguns temas como políticas públicas sobre cultura, orçamento municipal, saneamento básico e mobilidade urbana por exemplo. O curso amplia meus conhecimentos para atuar em minhas atividades”, afirma.

A Casa Fluminense rende uma homenagem especial à Karen Kristien, que é ex aluna e atuou como coordenadora geral da terceira turma em 2018.

Obrigad@ Karen e a todos os jovens que fizeram dessa edição especial para todos nós!

 

Visita ao teatro – ELZA

 

Confira mais fotos da 3ª turma do CPP !

 

Curso de Políticas Públicas

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