Eduardo Alves: Defender, respeitar e potencializar a juventude

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Texto por
Comunicação Casa
Data
22 de setembro de 2014

Na Baixada Fluminense: 1, em cada 3 jovens, não trabalha e nem estuda.

Rio – O jornal O DIA, em parceria com a Casa Fluminense, publicou, nas edições dos dias 14 e 15 de setembro, reportagens sobre o chamado “jovens nem-nem”. Com base nas informações do Censo de 2010, 26,4% dos jovens não trabalham e nem estudam. Na Baixada Fluminense ainda é pior: 1, em cada 3 jovens, não trabalha e nem estuda.

Nessas pesquisas de “nem- nem” não se considera, no entanto, várias ações importantes que ocorrem pelo Brasil. Aqui no Rio, por exemplo, há várias iniciativas de referência como o trabalho da Espocc (Escola Popular de Comunicação Crítica), da Agência de Redes para Juventude, do Circo Crescer e Viver, das jovens do Roque Pense, da galera do Terreiro de Ideias e outras várias (se eu seguir citando vai acabar o limite de toques). O fato é que os jovens estão inventando suas formas de vida e sobrevivência.

Com base no colocado acima, há alguns desafios importantes. O primeiro deles é levar em consideração, no levantamento de “dados”, o que já é feito pela juventude na sociedade civil. Por iniciativa própria ou articulados com iniciativas das organizações da sociedade civil, os jovens seguem reinventando suas vidas, alterando a cultura e motivando trabalhos e conhecimentos novos. Principalmente os jovens de periferias e favelas. Ou ainda não viram o importante circuito do jovem Jessé com seu livro FIEL?

O estado precisa reconhecer tais iniciativas, investir nessa potência já existente e aproximar os equipamentos de educação, artes, esportes e cultura das periferias e favelas. Essas ações são diferentes mas complementares. Precisa-se conquistar um Estado que tenha como prioridade a construção de uma cidade metropolitana de direitos. Hoje o que predomina é uma cidade de mercadoria, com baixos investimentos nas políticas públicas e nas ações públicas não estatais.

Imediatamente o Estado precisa desmilitarizar a polícia e investir na superação da ainda hegemônica cultura punitiva. Outra prioridade de investimento é em políticas de mobilidade plena, ampliando o importante papel da internet e investindo em transportes de massas na cidade metropolitana (com qualidade e baixas tarifas). É enorme a quantidade de jovens que são mortos, assassinados, no Brasil, principalmente negros, pobres, moradores de favelas e periferias; barrar essa tendência é a prioridade para implementar qualquer política para juventude.

Eduardo Alves é sociólogo e diretor do Observatório de Favelas

Artigo originalmente publicado no jornal O Dia 

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