Construindo uma agenda para o Rio

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Texto por
Livia Cunto
Data
11 de abril de 2016
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O debate insere-se no movimento de atualização da Agenda Rio, documento de propostas de políticas públicas da rede da Casa Fluminense. Na abertura do evento, Henrique Silveira, coordenador executivo da Casa, destacou a importância de espaços para o diálogo político. “Nesse momento de intolerância que estamos vivendo, o Fórum afirma a importância da troca: o encontro da minha ideia com a sua gera uma terceira melhor e mais democrática”, afirmou.

A metodologia escolhida para a construção coletiva foi a World Café, dinâmica na qual o público é dividido em pequenos grupos de 4 a 5 pessoas. Cada agrupamento se acomoda em uma mesa e escolhe um representante. O primeiro desafio foi eleger os problemas mais urgentes a serem enfrentados no Rio. A palavra “mobilidade” logo começou a estampar o amarelo marca-texto dos post-its disponibilizados. Uma equipe de dez facilitadores, formada pelo time da Carioteca, Rafael Oliva e Augusto Gutierrez, espalharam-se entre os grupos para estimular que cada tema fosse aprofundado: “o que precisamos para melhorar a mobilidade? o que exatamente é o mais crítico no saneamento” – provocavam. A discussão seguia dentro dos recortes setoriais e as demandas eram anotadas e coladas na cartolina. Os participantes eram então convidados a trocar de mesa e apenas o anfitrião permanecia, encarregado de explicar para quem chegava as ideias levantadas pelo grupo anterior.

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Ao final da manhã, cada representante apresentou os três desafios prioritários eleitos na sua mesa e a equipe de facilitação os organizou em grandes eixos temáticos. As áreas que mais mobilizaram o levantamento de demandas entre o público do Fórum foram Mobilidade, Saneamento, Educação, Cultura, Esporte, Juventude, Segurança e Saúde. Na parte da tarde, os participantes voltaram a se dividir em pequenos grupos, mas agora cada mesa era dedicada ao debate de um dos desafios eleitos como prioritários na parte da manhã. A ideia dessa segunda etapa era destrinchar propostas de políticas que tivessem impacto positivo na administração pública e consequente melhoria na qualidade de vida dos fluminenses. Para Jailton Lira, bibliotecário e ativista de políticas públicas de livro e leitura na Baixada, “a dinâmica ajudou a otimizar e explorou melhor a energia e conhecimento dos participantes”.

Além de ser um espaço para a construção política, o Fórum é um momento para articulação da sociedade civil, uma plataforma de encontro para ação conjunta. Nesta edição, em paralelo ao debate sobre o futuro do Rio, uma sala foi dedicada à construção de um mapa da participação metropolitano e um calendário compartilhado. Representantes das organizações apresentaram o trabalho de seus grupos e dividiram com os demais aquilo que seu coletivo precisava para maximizar seu impacto transformador e o que poderiam oferecer aos outros. Um post-it com o contato era colado em um grande mapa do Rio inteiro. No calendário, foram anotados os debates e encontros que cada organização pretende fazer em 2016. Ambos ficaram expostos ao longo do dia, funcionando já como incentivo ao aprofundamento de laços e atividades compartilhadas.

Na hora do almoço, a equipe do RapLab fez uma apresentação de hip hop, que contou com uma canção composta exclusivamente para o evento. Os jovens, moradores de Nova Iguaçu, cantaram suas expectativas para o pós-Olimpíadas. Na visão deles, no que diz respeito a Baixada, nada mudará (ouça a letra completa aqui). Pouco mudará na Baixada e pouco mudará no Leste Fluminense. Restrito no tempo e no espaço, o ciclo de megaeventos encerra-se neste ano e com ele é preciso dar fim também à tendência histórica de concentração de recursos nas áreas centrais da capital.

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“Quando começamos a pensar uma agenda para o Rio, sabíamos que até 2016 o planejamento estava dado, poderíamos disputar, mas seria na margem”, comentou José Marcelo Zacchi, coordenador geral da Casa, no encerramento do Fórum. “Mas o depois disso é uma página em branco, e nós precisamos entrar em campanha se quisermos que as ideias construídas aqui hoje e ao longo dos últimos três anos se tornem realidade. É preciso disputar que a cidade seja pensada para todos os 12 milhões de habitantes que nela circulam e vivem e que a redução de desigualdades esteja mais claramente em pauta do que esteve até agora” – defendeu ele.

Essa é a disputa que a rede da Casa vai fazer em torno das discussões do plano metropolitano e nas eleições municipais em outubro. A Agenda Rio materializa em suas propostas os anseios por menos desigualdade, mais democracia e mais sustentabilidade para o Rio inteiro. O 7º Fórum esteve a serviço da atualização do documento e fortalecimento de uma visão de futuro comum. Em breve, o acúmulo produzido no dia do evento será publicado.

Para Francisco Jorge Venancio, gerente de programas e projetos do Centro Cultural Ser Cidadão, de Santa Cruz, a Agenda Rio vai ajudar a qualificar o debate eleitoral por ter sido “construída com a participação de diversos atores da sociedade civil”. Ele acrescenta que as propostas podem servir “como referencial para o monitoramento das agendas de campanha” uma vez eleitas as novas administrações. Para a pesquisadora e associada Teresa Fazolo Freire, “em meio a tantas questões, a Agenda é um instrumento que vai nos ajudar a focar e pensar com mais clareza e objetividade” no momento do debate eleitoral.

O projeto Agenda Rio conta agora com uma nova plataforma, que agrega o documento construído pela rede da Casa e serve de repositório para publicações que contenham propostas de políticas públicas, elaborados por organizações parceiras historicamente comprometidas com a vida pública e democrática no Rio. Esse novo espaço online é mais uma contribuição da rede da Casa para a construção compartilhada de políticas públicas, servindo como referência para o aporte de ideias na reflexão do Rio que queremos. Visite o site e contribua você também para a atualização da Agenda. A partir do segundo semestre, com esse conjunto de ideias consolidado, vamos entrar em campanha e pautar a construção de um Rio mais justo para todos!  

Construindo uma agenda para o Rio

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Texto por
Comunicação Casa
Data
7 de abril de 2016

O 7º Fórum Rio, realizado no início de abril na Pavuna, reuniu cidadãos e organizações de diversas partes da região metropolitana para pensar e construir uma visão de futuro para o Rio inteiro, a cidade de 12 milhões de habitantes e 21 municípios. Provocados a definir os desafios prioritários para os próximos anos e levantar propostas de políticas para enfrentá-los, os cerca de 150 participantes foram conduzidos ao longo do dia por uma equipe de facilitadores.

Confira as propostas levantadas no encontro

O debate insere-se no movimento de atualização da Agenda Rio, documento de propostas de políticas públicas da rede da Casa Fluminense. Na abertura do evento, Henrique Silveira, coordenador executivo da Casa, destacou a importância de espaços para o diálogo político. “Nesse momento de intolerância que estamos vivendo, o Fórum afirma a importância da troca: o encontro da minha ideia com a sua gera uma terceira melhor e mais democrática”, afirmou.

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A metodologia escolhida para a construção coletiva foi a World Café, dinâmica na qual o público é dividido em pequenos grupos de 4 a 5 pessoas. Cada agrupamento se acomoda em uma mesa e escolhe um representante. O primeiro desafio foi eleger os problemas mais urgentes a serem enfrentados no Rio. A palavra “mobilidade” logo começou a estampar o amarelo marca-texto dos post-its disponibilizados. Uma equipe de dez facilitadores, formada pelo time da Carioteca, Rafael Oliva e Augusto Gutierrez, espalharam-se entre os grupos para estimular que cada tema fosse aprofundado: “o que precisamos para melhorar a mobilidade? o que exatamente é o mais crítico no saneamento” – provocavam. A discussão seguia dentro dos recortes setoriais e as demandas eram anotadas e coladas na cartolina. Os participantes eram então convidados a trocar de mesa e apenas o anfitrião permanecia, encarregado de explicar para quem chegava as ideias levantadas pelo grupo anterior.

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Ao final da manhã, cada representante apresentou os três desafios prioritários eleitos na sua mesa e a equipe de facilitação os organizou em grandes eixos temáticos. As áreas que mais mobilizaram o levantamento de demandas entre o público do Fórum foram Mobilidade, Saneamento, Educação, Cultura, Esporte, Juventude, Segurança e Saúde. Na parte da tarde, os participantes voltaram a se dividir em pequenos grupos, mas agora cada mesa era dedicada ao debate de um dos desafios eleitos como prioritários na parte da manhã. A ideia dessa segunda etapa era destrinchar propostas de políticas que tivessem impacto positivo na administração pública e consequente melhoria na qualidade de vida dos fluminenses. Para Jailton Lira, bibliotecário e ativista de políticas públicas de livro e leitura na Baixada, “a dinâmica ajudou a otimizar e explorou melhor a energia e conhecimento dos participantes”.

Além de ser um espaço para a construção política, o Fórum é um momento para articulação da sociedade civil, uma plataforma de encontro para ação conjunta. Nesta edição, em paralelo ao debate sobre o futuro do Rio, uma sala foi dedicada à construção de um mapa da participação metropolitano e um calendário compartilhado. Representantes das organizações apresentaram o trabalho de seus grupos e dividiram com os demais aquilo que seu coletivo precisava para maximizar seu impacto transformador e o que poderiam oferecer aos outros. Um post-it com o contato era colado em um grande mapa do Rio inteiro. No calendário, foram anotados os debates e encontros que cada organização pretende fazer em 2016. Ambos ficaram expostos ao longo do dia, funcionando já como incentivo ao aprofundamento de laços e atividades compartilhadas.

Na hora do almoço, a equipe do RapLab fez uma apresentação de hip hop, que contou com uma canção composta exclusivamente para o evento. Os jovens, moradores de Nova Iguaçu, cantaram suas expectativas para o pós-Olimpíadas. Na visão deles, no que diz respeito a Baixada, nada mudará (ouça a letra completa aqui). Pouco mudará na Baixada e pouco mudará no Leste Fluminense. Restrito no tempo e no espaço, o ciclo de megaeventos encerra-se neste ano e com ele é preciso dar fim também à tendência histórica de concentração de recursos nas áreas centrais da capital.

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“Quando começamos a pensar uma agenda para o Rio, sabíamos que até 2016 o planejamento estava dado, poderíamos disputar, mas seria na margem”, comentou José Marcelo Zacchi, coordenador geral da Casa, no encerramento do Fórum. “Mas o depois disso é uma página em branco, e nós precisamos entrar em campanha se quisermos que as ideias construídas aqui hoje e ao longo dos últimos três anos se tornem realidade. É preciso disputar que a cidade seja pensada para todos os 12 milhões de habitantes que nela circulam e vivem e que a redução de desigualdades esteja mais claramente em pauta do que esteve até agora” – defendeu ele.

Essa é a disputa que a rede da Casa vai fazer em torno das discussões do plano metropolitano e nas eleições municipais em outubro. A Agenda Rio materializa em suas propostas os anseios por menos desigualdade, mais democracia e mais sustentabilidade para o Rio inteiro. O 7º Fórum esteve a serviço da atualização do documento e fortalecimento de uma visão de futuro comum. Em breve, o acúmulo produzido no dia do evento será publicado.

Para Francisco Jorge Venancio, gerente de programas e projetos do Centro Cultural Ser Cidadão, de Santa Cruz, a Agenda Rio vai ajudar a qualificar o debate eleitoral por ter sido “construída com a participação de diversos atores da sociedade civil”. Ele acrescenta que as propostas podem servir “como referencial para o monitoramento das agendas de campanha” uma vez eleitas as novas administrações. Para a pesquisadora e associada Teresa Fazolo Freire, “em meio a tantas questões, a Agenda é um instrumento que vai nos ajudar a focar e pensar com mais clareza e objetividade” no momento do debate eleitoral.

O projeto Agenda Rio conta agora com uma nova plataforma, que agrega o documento construído pela rede da Casa e serve de repositório para publicações que contenham propostas de políticas públicas, elaborados por organizações parceiras historicamente comprometidas com a vida pública e democrática no Rio. Esse novo espaço online é mais uma contribuição da rede da Casa para a construção compartilhada de políticas públicas, servindo como referência para o aporte de ideias na reflexão do Rio que queremos. Visite o site e contribua você também para a atualização da Agenda. A partir do segundo semestre, com esse conjunto de ideias consolidado, vamos entrar em campanha e pautar a construção de um Rio mais justo para todos!

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